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SÃO PAULO – Segundo relatório divulgado ontem pelo Banco Central, as taxas cobradas nas operações financeiras tanto para pessoas físicas como jurídicas apresentou elevação no mês de julho, com exceção das taxas cobradas nas operações de curto prazo, conhecidas como hot money.
Inadimplência recua, mas custo de captação aumenta
Esse aumento foi motivado, principalmente por três fatores, a elevação dos custos de captação, a elevada taxa de inadimplência e o custo de oportunidade. Os custos de captação cresceram, em decorrência das incertezas econômicas e políticas brasileiras no próximo ano, já que o mandato do atual presidente termina esse ano.
O custo de oportunidade também deve ser levado em conta, pois como atualmente as taxas dos títulos públicos estão elevadas, muitos bancos preferem investir em títulos a emprestar o capital para quem necessita. A inadimplência também tem um peso importante no cálculo das taxas, pois indica o risco do banco não receber o valor emprestado.
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Critérios mais rigorosos reduziram inadimplência
O nível de inadimplência durante o mês de julho registrou leve queda de 0,5 ponto percentual, e passou para 8%. Mesmo assim, esse valor é considerado muito alto, impedindo um declínio nos juros. A queda da inadimplência no mês foi decorrente das políticas mais rigorosas na concessão de crédito.
As taxas cobradas nas operações de créditos para empresas, o aumento médio verificado em julho foi de 0,7 p.p para 43% ao ano. O maior aumento nos juros foi observado no segmento de aquisição de bens, que passou de 33,4% para 36,1% ao ano em julho. No caso de descontos de duplicatas, a elevação foi de 1,1 ponto percentual, atingido 49,1%.
Hot Money foi exceção, e apresentou queda nas taxas
A única operação que apresentou recuo, foi a de operações de curto prazo de até 29 dias, que passaram de 48,2% para 45,7%, em virtude do baixo volume de operações nessa modalidade.
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A taxa cobrada no cheque especial ficou praticamente estável, passou de 58,8% para 58,7% ao ano. Segundo o BC, a estabilidade nos juros do cheque especial se deve a redução nos custos de captação no curto prazo dos bancos e a queda nos atrasos.
Já nas operações de crédito pessoal, que são operações de empréstimo a pessoas físicas sem vinculação especifica de aquisição de um bem ou serviço, houve um aumento de 2,6 pontos percentuais, em julho, passando de 80,2% para 82,2% ao ano. No entanto, na comparação com os demais meses, essa taxa ainda pode ser considerada baixa, já que em março e abril, as taxas foram, respectivamente, de 83,1% e 83,6%.
Juros dos financiamentos de carro apresentaram maior alta
O maior aumento ocorreu no segmento de financiamentos de automóveis, que registraram acréscimo de 7,7 p.p, para 50,4% ao ano. Na média geral, os juros cobrados nas operações de crédito ficaram em 74,9%, um aumento de 4,5 p.p frente ao registrado no mês anterior.
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O spread bancário, que representa a diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados dos tomadores finais, também aumentou, cerca de 1,5 ponto percentual, para 38,6% em julho. O aumento nos custos de captação acabou invertendo a tendência de baixa que vinha acontecendo desde o mês de março, quando o spread registrou taxa de 41,9%. Esse aumento se deve, ao repasse do aumento dos custos dos meses de junho e julho.