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SÃO PAULO – Os lojistas já começam a se preparar para as vendas de final de ano, período em que as lojas aproveitam para aumentar as suas vendas, liquidarem os estoques ou faturarem aquilo que não ganharam durante o ano. Nem mesmo as eleições devem alterar os planos das varejistas, que estão investindo pesado nas campanhas promocionais.
Consumidores e lojistas tentam driblar a crise
Mas não é só o lojista que está se preparando para as festas de final de ano, os consumidores também estão tentando driblar a crise, recorrendo a negociação da dívida com os seus credores a fim de conseguirem crédito para as compras do Natal. Pelo menos é isso o que indica a pesquisa da Serasa sobre inadimplência. Segundo o instituto, no 1º bimestre do ano, a inadimplência havia ficado em 44%, já neste bimestre, esse número já caiu para 17,5%.
A Casas Bahia, uma das principais lojas de eletroeletrônicos do país, está otimista em relação às vendas de final de ano. A loja já atendeu, em agosto, 53 mil clientes interessados em renegociar dívida, 22% a mais do que o registrado no mês de julho.
Vale lembrar que o setor de eletrônicos é um dos que mais sofre com o desaquecimento da economia, já que as suas vendas dependem essencialmente de financiamento, devido ao seu alto valor agregado. Além disso, com a perda de poder aquisitivo, parte das famílias exclui a compra desses itens, por considerá-los supérfluos.
Maioria busca saldar dívidas, antes do final do ano
Segundo o Instituto Fecomércio do Rio de Janeiro, através de pesquisa realizada a pedido do jornal “O Globo” na semana passada, esse otimismo dos varejistas pode ser confirmado pelos dados obtidos com a pesquisa. De acordo com os 404 entrevistados, 28,47% confirmaram que ainda estão endividados, no entanto, 74,78% reiteraram que estão tentando quitar as suas dívidas para contrair outros compromissos no final do ano.
Para isso, 30,2% dos entrevistados estão recorrendo a negociação da dívida, 30,2% estão fazendo hora extra no trabalho, enquanto 17,4% estão buscando outros empréstimos.
Cautela deve permanecer durante as vendas de Natal
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Contudo, a pesquisa ressalta que as vendas em 2002 devem ser menores do que as registradas no mesmo período do ano passado. Segundo a pesquisa, 52,5% dos entrevistados revelaram que pretendem gastar menos do que no ano passado, e apenas 19,8% pretendem gastar a mesma quantia.
As despesas devem variar entre R$ 100 a R$ 500 para 41% dos entrevistados. Somente 13% dos entrevistados pretendem gastar mais de R$ 500, o mesmo percentual revelou que pretende gastar até R$ 100.
Campanhas devem começar só depois das eleições
Essa cautela reflete o temor dos entrevistados em relação ao futuro da economia e ao desemprego. Sabendo disso, muitos lojistas diversificam as modalidades de pagamento, na tentativa de conquistar o cliente. A Casas Bahia, conhecida pelo seu sistema de financiamento, começou a aceitar pagamento com cartão de crédito em até seis parcelas, antes a rede só aceitava pagamento através de cheque pré-datado ou boleto bancário.
Os lojistas preferem não adiantar as suas estratégias de vendas para esse final de ano, mas ressaltam que estão otimistas em relação às vendas. A aposta é de que as lojas devem investir nas ofertas dobradinhas, na premiação ou na extensão dos prazos de pagamento. Porém, é importante lembrar que essas campanhas só devem ser iniciadas depois das eleições, quando o cenário político estiver mais definido.