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SÃO PAULO – Seguindo a tendência do comércio como um todo, as montadoras parecem adotar uma postura cautelosa com relação a um possível reajuste dos juros cobrados nos financiamentos de automóveis. O reajuste seria reflexo da decisão do Comitê de Política Monetária nesta terça-feira, dia 15, de aumentar a taxa de juros básica da economia de 18% ao ano para 21% ao ano.
Montadoras ainda estudam reajuste
Depois de registrar forte aumento desde abril, subindo de 37,10% ao ano para 50,02% em agosto, segundo dados do Banco Central, os juros cobrados nos financiamentos de automóveis podem acabar não sendo reajustados tão rapidamente como se esperava.
Na opinião do diretor executivo da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), Romélio Brasil, os bancos de montadoras ainda estão estudando o impacto do aumento dos juros em suas operações, para então se posicionar sobre um possível reajuste. Para ele a taxa de juros básica da economia não é o único fator que deve determinar o novo patamar dos juros cobrados nos financiamentos de veículos, que também devem ser afetados pelo risco-país e expectativas de inflação.
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Caso as medidas anunciadas pelo BC consigam efetivamente fazer com que o câmbio caia, então é possível que o custo de captação dos bancos das montadoras venha a baixar, permitindo a manutenção dos juros nos patamares atuais.
Impacto no bolso
Segundo o diretor da Anef, caso o repasse do aumento da Selic seja integral o custo do financiamento de automóveis deve aumentar de 2,80% e 3,01% ao mês. Como os financiamentos de veículos têm um prazo médio entre 24 e 36 meses, o impacto no bolso do consumidor acaba sendo maior do que aquele dos créditos ao consumidor, com prazo inferior a 12 meses.
Quanto maior o prazo de financiamento, maior será o impacto para o consumidor que deverá gastar mais com juros. Assumindo o financiamento de um carro de R$ 18 mil, valor em linha com o preço dos modelos mais populares existentes no mercado, de prazo 24 meses, e juros de 2,80%, a prestação seria de R$ 1.040,08, passando a R$ 1.064 caso os juros aumentassem. Um aumento de R$ 24 por prestação ou R$ 576 no total das 24 prestações.
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Para um prazo de 36 meses, apesar da prestação cair para R$ 800 com os juros a 2,80%, o impacto do aumento dos juros é maior, com as prestações aumentando para R$ 826. Isto significa uma diferença de R$ 26 ou R$ 936 no acumulado de 36 meses, cerca de 62,5% a mais do que no financiamento de 24 meses. Esta diferença pode ser ainda maior, já que as montadoras tendem a cobrar mais nos financiamentos de prazo mais longo, o que não está embutido nestes cálculos.