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SÃO PAULO – Passado menos de uma semana da decisão do Comitê de Política Monetária de aumentar a taxa básica de juros de 22% ao ano para 25% ao ano, o consumidor já pode constatar que, apesar do aumento ter superado as expectativas do mercado, que apontavam para uma taxa de 23,5%, os varejistas cumpriram o que haviam dito pouco antes da decisão e realmente não repassaram o aumento para o consumidor.
Tabelas foram mantidas
Depois de um ano ruim em termos de vendas, a maioria dos lojistas não quer se arriscar a aumentar os juros, ou dificultar as condições de pagamento e ficar sem um cliente. Até porque as vendas nesta época do ano tendem a responder por cerca de 30% do volume de negócios no ano, de forma que quem não vender agora terá que amargar estoques maiores no próximo ano.
A decisão de não alterar os juros reflete o fato de que, faltando apenas uma semana para o Natal, a maioria das promoções já estava fechada assim como os planejamentos de financiamentos.
Uma das varejistas que não aumentou os juros foi a Casas Bahia, que afirma que este foi o terceiro aumento dos juros básicos que a empresa optou por absorver, ou seja, reduziu suas margens para evitar repasses aos consumidores. Assim sendo, as compras de eletrônicos ainda podem ser parceladas entre sete e onze vezes a uma taxa de 3,5% ao mês, nos parcelamentos até seis meses não são cobrados juros.
Outra varejista que adotou postura semelhante foi a Arapuã. Apesar de oferecer financiamentos através de uma financeira terceirizada, a Losango, que faz parte do grupo Llyods TSB, a varejista também optou pela manutenção da taxa de juros, que varia entre 4,78% e 7,98% no crediário.
Finalmente, o Ponto Frio, outro grande varejista manteve os juros inalterados em 5,99% ao mês nos financiamentos em até doze vezes com entrada. Todas afirmam que o repasse do recente aumento dos juros deve acontecer somente a partir de 2003, preservando pelo menos as compras de Natal.
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Consumidor segue cauteloso
Apesar da maior facilidade de pagamento, muitos consumidores ainda estão cautelosos na hora de comprar, preocupados não só com os altos juros cobrados, como também com o aumento dos preços.
Para se ter uma idéia, enquanto o índice de preços ao atacado, que mede o aumento dos custos dos comerciantes, caiu de 6,73% em novembro para 3,69% nas primeiras prévias de dezembro, os aparelhos eletrônicos foram reajustados em até 14%.
Com os preços em alta, a maioria dos consumidores busca mais facilidades na hora de pagar, de forma que um aumento dos juros agora certamente espantaria os clientes, que preferem pagar parcelado, mas sem juros. Por sua vez, como boa parte dos varejistas tem estoques para até 30 dias, o mais provável é que tentem manter a estratégia atual de vendas.