Liquidações pós-Natal devem impulsionar comércio

Liquidações e facilidade de pagamento no cartão em até quatro parcelas sem juros devem contribuir para impulsionar vendas neste final de mês

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SÃO PAULO – As vendas de Natal em 2002 acabaram crescendo menos do que se esperava em relação ao mesmo período do ano passado, em função, principalmente, da elevação em três pontos percentuais da taxa Selic, que subiu de 22% para 25% ao ano em dezembro. Mesmo assim, a ACSP (Associação Comercial de São Paulo) prevê crescimento entre 1,5% e 2% nas vendas durante o mês de dezembro.

Vendas à vista cresceram nesse Natal

A associação acredita que o período de liquidações pós- Natal e o aumento nas transações com cartão de crédito devem impulsionar as vendas em dezembro. Os dados preliminares contabilizados até o dia 25 de dezembro, indicam que as vendas à vista, medidas pelo UseCheque, cresceram cerca de 2,1% frente ao mesmo período do ano passado.

Por outro lado, de acordo com os dados do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) que mede as vendas a prazo, houve queda de 3,2% no volume de vendas em dezembro em relação ao ano passado. Isso se deve a elevação da taxa de juros, que acabou encarecendo o custo do crediário ao consumidor.

As vendas de itens com maior valor agregado, como os bens duráveis, por exemplo, registraram fraco desempenho em dezembro, visto que a maioria dos consumidores adquire esses produtos através do financiamento. Em contrapartida, os produtos com menor valor adquiridos através do pagamento à vista apresentaram aumento nas vendas no mesmo período.

Consumidores estão migrando para o cartão de crédito

O mesmo levantamento revelou que está ocorrendo uma migração das vendas à vista para os pagamentos com cartão de crédito, já que os mesmos permitem pagamento em três ou quatro parcelas sem juros. Já as vendas a prazo começaram a perder o fôlego depois do aumento da taxa Selic no último dia 18 de dezembro.

As vendas no crediário até o dia 18 apontavam crescimento de 2,2%, mas passaram para 1% depois do aumento da Selic. Vale ressaltar que esse é o segundo ano consecutivo de queda nas vendas do crediário. Em 2001, as vendas haviam sido afetadas pelo racionamento de energia, que provocaram uma retração de 5,9% nas vendas de eletrodomésticos em relação a 2000.

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Lojistas não repassaram alta dos juros

Na opinião de Alencar Burti, presidente da ACSP, a decisão dos lojistas de não repassar a alta dos juros nos seus produtos acabou permitindo que a queda nas vendas a prazo fosse menos acentuada. Além disso, as campanhas e as promoções agressivas conquistaram os consumidores impulsionando as vendas.

Entretanto, mesmo sem o repasse da alta dos juros nos crediários e nos produtos, muitos consumidores decidiram não comprar a prazo nesse final de ano, refletindo na queda nas vendas a prazo. Deve se levar em conta também que a mudança no cenário político ainda traz incertezas para muitos brasileiros, o que pode ser observado nitidamente nas vendas no crediário.