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SÃO PAULO – Com a implantação do Plano Real em 1994, o governo conseguiu eliminar a inflação desenfreada que durante anos prejudicou a economia brasileira. A inflação era tão alta que impediu qualquer tipo de planejamento de contas, dificultando a vida da população. Imagine tentar estimar quanto você precisaria poupar todos os meses, para conseguir comprar uma geladeira no final do ano?
Diante de uma inflação que alterava o preço dos produtos quase que diariamente, os consumidores tentavam livrar-se da moeda o mais rápido possível para evitar perdas maiores. O fim deste caos econômico alterou radicalmente a maneira de administrar o dinheiro, pois tornou possível planejar metas tanto de consumo como de investimento para um horizonte maior de tempo.
Inflação caiu, mas juros continuam altos
Com a introdução do Plano Real e conseqüente controle da inflação, a renda do trabalhador aumentou, fazendo com que muitos consumidores voltassem às compras. Todos aqueles sonhos de consumo como a viagem de férias para Disney, a aquisição de produtos importados como eletrodomésticos, carros, entre outros, se tornaram bem mais acessíveis com a equiparação da nova moeda brasileira com o dólar.
O grande problema é que alguns consumidores passaram não só a realizar tais sonhos, como também satisfazer suas necessidades básicas através de empréstimos que, com o fim da inflação, começaram a despontar como uma alternativa “atrativa”. A grande preocupação não era tanto com os juros cobrados, mas com o valor das prestações e se elas cabiam no bolso do consumidor. Como os juros continuaram altos, a maioria não percebeu que ao comprar financiado estava pagando por dois.
Perdendo com os juros
Uma pesquisa recente do Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade) retrata bem isso: a taxa média de juros do cheque especial está hoje em 9,97% ao mês e do empréstimo pessoal, em 5,69% mensais. Isto equivale a taxas anuais de 213% ao ano e 94% ao ano.
Com essas taxas, se você quiser, por exemplo, adquirir um carro, em cerca de catorze meses terá pagado não só o seu carro como também estará devendo outro para o banco.
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No caso do cheque especial, a situação é ainda mais delicada. Imagine que você deseja adquirir uma geladeira que custa R$ 500,00 e resolve financiá-la em 12 meses. Com a taxa de 9,97% levantada pela Anefac, você pagará por aquela geladeira que custava R$ 500,00 três vezes mais, ou cerca de R$ 1.565,00. Se, ao invés de financiá-la, você guardasse os mesmos R$ 130, teria sido necessário quatro meses para adquiri-la à vista.
Juros devem aumentar
Além disso, outro fator que deve fazer com que o consumidor pense duas vezes foi a decisão do Banco Central de aumentar a Selic, taxa de juros básica da economia. Neste mês de dezembro, os diretores da instituição optaram por elevar os juros de 21% para 25% ao ano, citando que a alta do dólar estaria pressionando os índices inflacionários, que estariam saindo do controle do governo.
Assim, ao aumentar os juros, o BC tende a frear o consumo, visto que o acesso ao dinheiro se torna mais caro. Nesse sentido, é possível que a inflação venha a recuar ou mesmo não subir tanto, já que os produtores não poderão repassar integralmente a alta do dólar ao consumidor devido à queda da demanda.
Fazendo as contas
Ao invés de focar as atenções no valor da prestação, que certamente é bem inferior ao preço do produto à vista, faça as contas para saber realmente quanto irá pagar se comprar a prazo. Não se esqueça que é preciso muita disciplina para administrar seu orçamento e resistir aos ímpetos consumistas. Uma coisa é certa as elevadas taxas de juros, diferentemente da inflação, podem ser evitadas. Para ajudar na sua simulação de quanto está gastando com um financiamento, você pode dar uma olhada na nossa calculadora de financiamento.
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