Publicidade
Ainda hoje o ministro do trabalho, Francisco Dornelles, e o presidente Fernando Henrique Cardoso devem discutir um novo projeto de lei, que prevê mudanças na legislação trabalhista vigente, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Apesar do ministro do trabalho acreditar que o projeto deve facilitar a comunicação entre trabalhadores e empregadores, muitos acreditam que haverá forte resistência no Congresso, pois o projeto não é fruto de uma negociação tripartite entre governo, empresários e trabalhadores.
O que muda na CLT com o novo projeto
A grande novidade está na mudança do artigo 618 da CLT de forma a privilegiar as negociações entre trabalhadores e funcionários, assim como decisões tomadas em convenção ou acordo coletivo, frente ao disposto na lei. Caso aprovado, o projeto permitirá a livre negociação entre trabalhadores e empregadores sobre alguns temas importantes como por exemplo: duração de férias, licença-paternidade, remuneração extra por trabalho noturno, adicional de insalubridade, etc.
O ministro do trabalho aproveitou para reiterar que o projeto não deve alterar o artigo 7§ da CLT, mantendo inalterados direitos como férias remuneradas, 13§ salário, FGTS, adicional de 30% para férias, etc. Para Dornelles, a situação atual exige que sejam privilegiados os direitos negociáveis e contratuais e não apenas os direitos inegociáveis e legislados. Além disso, para ele as peculiaridades regionais e setoriais fazem com que seja necessária uma regulamentação própria, o que dificulta a criação de uma legislação única.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Projeto gera controvérsia entre centrais sindicais
Nem mesmo saiu do forno, e o projeto já recebeu duras críticas de algumas centrais sindicais, dentre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Para o presidente da CUT, a introdução de mudanças na forma de diálogo entre trabalhadores e funcionários não é apropriada no momento, já que a prioridade deve ser dada para a manutenção de postos de trabalho. Já para o presidente da Força Sindical, as mudanças devem ser bem recebidas, pois visam o aumento das negociações o que deve fortalecer os sindicatos.
Na opinião do ministro, ao contrário do que algumas centrais acreditam, a flexibilização das negociações trabalhistas deve beneficiar o trabalhador, já que estimula a criação de novos empregos formais. De acordo com dados do próprio ministério do trabalho, atualmente apenas 45% da população ativa do país, isto é, pessoas que trabalham, tem registro em carteira.
Continua depois da publicidade
Antonio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), teme que, caso aprovado, o projeto permita que alguns direitos garantidos pela CLT sejam reduzidos ou até mesmo eliminados, durante negociações coletivas. Para ele, o projeto em questão é apenas o primeiro de uma série que visa alterar direitos garantidos no plano infra-constitucional, dentre eles cita a mudança na forma em que são feitas as contribuições sindicais.