Governo anuncia segunda emissão externa do ano

Governo emitirá US$ 750 bilhões no exterior em Global Bonds de seis anos, sendo a primeira depois da perpectiva positiva para o rating soberano

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SÃO PAULO – A segunda emissão do governo brasileiro em mercados externos de 2002 deverá envolver um montante de US$ 750 milhões em bônus globais de seis anos, segundo informações do Banco Central anunciadas há pouco. Os papéis ainda não foram precificados, mas será a primeira emissão federal depois da perspectiva positiva concedida ao rating soberano do Brasil atribuído pela Moody’s Investor Service. Desta forma, a expectativa é de que o custo de captação seja inferior ao registrado em emissões anteriores.

Bancos estrangeiros coordenarão a segunda emissão

Esta segunda emissão do ano será coordenada pelos bancos norte-americanos Goldman Sachs e Merrill Lynch e será cotada posteriormente, sem que o BC informasse quando ocorreria. A primeira emissão federal em 2002 ocorreu logo no início do ano, em 7 de janeiro, e envolveu US$ 1,250 bilhão em papéis globais de dez anos de resgate. A taxa paga pelo Governo atingiu 12,6%, o que gerou um spread na época de 754 pontos base em relação ao retorno dos Treasuries norte-americanos de prazos idênticos.

Perspectiva positiva do rating pode pesar a favor

No final de fevereiro, a agência internacional de classificação de risco de crédito, Moody’s, elevou a perspectiva de estável para positiva do rating atribuído à República Federativa do Brasil de B1 para títulos e notas e de B2 para depósitos bancários. Ao mesmo tempo a agência colocou em perspectiva estável o rating em moeda local dos títulos públicos. Segundo a agência, a alteração da perspectiva reflete a disciplina fiscal das autoridades brasileiras, o fortalecimento macroeconômico e sua habilidade em lidar com os choques a que ficou exposto no ano passado.

Entre os choque, externamente tivemos a turbulência econômica da Argentina, enquanto internamente a agência citou a crise de energia. Além disso, a Moody’s ressaltou que espera que as autoridades do país continuem mantendo a postura de adoção de políticas eficientes em antecipação a choques futuros. Ao mesmo tempo, assegurou o acompanhamento dos resultados primários do governo e do quadro político para a sucessão presidencial. De qualquer forma, isso já é um bom sinal para o país, sobretudo na visão dos investidores estrangeiros.