Banco Central divulga relatório Focus, com as expectativas do mercado

Através da consulta de cerca 100 instituições, são feitas pesquisas sobre os principais indicadores do país para 2002 e 2003

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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta segunda-feira o informe que relata as projeções do mercado, feito com base em consulta de aproximadamente 100 instituições na segunda semana de junho, para os principais índices macroeconômicos da economia brasileira, referentes aos anos de 2002 e 2003.

Os destaques positivos do relatório são a redução das expectativas de inflação para 2002, e o aumento das estimativas de superávit da balança comercial. Por outro lado, o fato negativo de maior relevância fica por conta do anúncio da diminuição das expectivas de crescimento do PIB.

Mercado acredita na queda da taxa de inflação

O destaque positivo do relatório é a expectativa de redução do IPCA, que é usado para a fixação das metas inflacionárias do Banco Central. As projeções para o índice, divulgado pelo IBGE, caíram de 5,49% para 5,46% para 2002, permanecendo estáveis para 2003 em 4,00%.

Também registraram queda segundo as estimativas do mercado, os demais índices para a inflação brasileira, com exceção apenas para os publicados pela Fundação Getúlio Vargas, mais precisamente o IGP-M e o IGP-DI. Estes índices, influenciados pela alta do IGP-DI anunciada na semana passada, tiveram o crescimento dos valores esperados pelo mercado.

Melhoram projeções para balança comercial e investimentos diretos

Entre os fatores positivos, também está o aumento das previsões para o superávit da balança comercial brasileira, de US$ 4,05 bilhões para US$ 4,27 bilhões para 2002, ainda que se mantenham as projeções para 2003 em US$ 5,00 bilhões, mostrando os eventuais reflexos da atual depreciação do real no comércio exterior brasileiros nos próximos meses.

As expectativas para o fluxo de entrada de investimentos diretos também se elevaram, passando de US$ 17,5 bilhões para US$ 17,58 bilhões em 2002, enquanto 2003 acabou ficando nos mesmos US$ 18,00 bilhões.

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Desaceleração do crescimento do PIB é o grande ponto negativo

Conforme aferido pelo Banco Central, o mercado está mais pessimista quanto ao desempenho da economia brasileira em 2002. Com isto, as projeções coletadas acerca do crescimento do PIB diminuíram de 2,27% para 2,20% para 2002, embora permaneçam inalteradas em 3,50% para 2003.

Fortalecimento da candidatura governista anima mercados

O anúncio de medidas por parte do Banco Central para anular a turbulência dos mercados, como o saque de US$ 10,00 bilhões de dólares disponíveis para o Brasil no FMI e o pagamento antecipado de parcela da dívida pública, acabou animando os investidores.

Além disso, a relativa estabilidade da cotação do petróleo, às vezes inclusive ensaiando uma tendência de queda, permitiu ao mercado antever menores pressões dos preços de energia, aumentando o otimismo quanto ao cumprimento das metas de inflação.

Dólar deve recuar até o final de 2002

Por outro lado, desde o início de 2002, a moeda norte-americana já acumula uma alta de 15,12%, podendo ter reflexo na taxa de inflação. Além disso, a alta do dólar impulsiona diretamente o aumento da dívida interna brasileira, que tem uma importante parcela atrelada à moeda estrangeira, criando nervosismo dentro do mercado.

Contudo, segundo o relatório Focus, há confiança na superação das turbulências no mercado em decorrência das incertezas eleitorais. As projeções para a taxa de câmbio, no fim de 2002, mantiveram-se em R$ 2,50, enquanto para o final de 2003, os dados colhidos pelo BC sinalizam o câmbio a R$ 2,62.Com isto, as previsões para a taxa Selic permaneceram inalteradas em 17% para o ano corrente e 15% para 2003.

As projeções para 2002 e 2003, comparando o levantamento divulgado esta semana com os dados coletados em 07 de junho, são as seguintes:

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Fonte: Banco Central

Junho 2002 2003
07/06 Atual 07/06 Atual 07/06 Atual
IGP-DI 0,66% 0,80% 5,88% 6,13% 4.80% 4.83%
IGP-M 0,60% 0,73% 5,70% 5,85% 4,68% 4,69%
INPC 0,430% 0,45% 6,14% 6,03% 4,20% 4,25%
IPCA 0,40% 0,41% 5,49% 5,46% 4,00% 4,00%
IPC-FIPE 0,35% 0,35% 4,29% 4,25% 4,00% 4,00%
PIB 2,27% 2,20% 3,50% 3,50%
Balança Comercial 4,05% 4,27% 5,00% 5,00%
Déficit em Conta Corrente -20,5% -20,5% -20,0% -20,0%
Invest. Estrang. 17,50% 17,58% 18,00% 18,00%
Déficit Público Primário 3,50% 3,50% 3,00% 3,00%
Déficit Público Nominal -3,50% -3,50% -3,00% -3,00%
Taxa de Câmbio 2,50% 2,50% 2,64% 2,62%
Selic 17,00% 17,00% 15,00% 15,00%