Superávit primário atinge 4,6% do PIB no acumulado de 2002

O acumulado no ano chega a R$ 23,5 bilhões (4,6% do PIB), acima da meta de superávit primário de 3,75% do PIB

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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta quinta-feira a Nota para a Imprensa sobre a política fiscal. Em maio, o setor público não-financeiro brasileiro obteve um superávit primário de R$ 3 bilhões. Com isto, o acumulado no ano chega a R$ 23,5 bilhões (4,6% do PIB), resultado que ficou bem acima da meta revisada de superávit primário de 3,75% do PIB para este ano.

O superávit primário foi fruto do resultado positivo de R$ 19,1 bilhões (3,7% do PIB) do Governo Central (Governo Federal, INSS e Banco Central), enquanto os governos locais apresentaram um superávit de R$ 6,1 bilhão (1,2% do PIB). Já as estatais acabaram registrando um déficit de R$ 1,6 bilhão (0,3% do PIB).

Contudo, no acumulado em 12 meses o superávit primário ficou em R$ 40,2 bilhões (3,3% do PIB), frente aos R$ 40,9 bilhões (3,4% do PIB) do acumulado em 12 meses em abril. Este resultado ficou abaixo da meta de 3,75% do PIB para o ano, que foi estabelecida para reduzir o nervosismo do mercado, além de ter ficado abaixo da meta anterior de superávit, que era de 3,5% do PIB.

Gastos com juros chegam a 7,65% do PIB

Os dispêndios com juros atingiram R$ 39,3 bilhões (7,65% do PIB) no acumulado no ano até maio, enquanto o fluxo para o pagamento de juros em 12 meses ficou em R$ 93,8 bilhões (7,6% do PIB). Com isto, o déficit nominal ficou em R$ 53,6 bilhões (4,4% do PIB) no período de 12 meses até maio, do quais R$ 5,8 bilhões somente no mês de maio.

A dívida mobiliária federal, excetuando-se o Banco Central, ficou em R$ 639,4 bilhões (50,6% do PIB), ficando R$ 6,1 bilhões acima do resultado de abril. Com o resgate de algumas LFTs e de NBCEs, o governo conseguiu alongar a média de vencimento dos títulos públicos de 10,51 meses em abril para 10,65 meses em maio.

Por sua vez, a dívida líquida do setor público ficou em R$ 708,5 bilhões, o equivalente a 56% do PIB. Somente a desvalorização cambial de maio foi responsável pelo acréscimo de R$ 20,6 bilhões na dívida, dos quais R$ 8,9 bilhões são referentes à dívida externa e R$ 11,7 bilhões correspondentes à dívida interna mobiliária indexada ao dólar. Já a dívida pública bruta somou R$ 956,1 bilhões (75,6% do PIB) frente aos R$ 928,7 bilhões (74% do PIB) de abril, resultado que também foi influenciado pela desvalorização cambial no período.