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SÃO PAULO – Desde os ajustes de maio, em que as cotas dos fundos DI e de renda fixa sofreram fortes ajustes com a introdução da marcação a mercado, muitos investidores optaram por sacar os recursos aplicados, acarretando uma forte perda entre os fundos de investimento. As incertezas quanto ao cenário eleitoral acabaram contribuindo para o maior nervosismo entre os investidores, que acabaram optando por investimentos em imóveis, poupança, ouro e dólar.
Diante deste cenário pouco favorável, os planos de previdência complementar, que são estruturados como fundos de investimento, foram exceções, ao registrarem vendas acumuladas no semestre de R$ 4,4 bilhões, o que representa um crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2001.
Nem mesmo o fato de cobrarem taxas mais altas do que os fundos de investimento tradicionais, o que acaba prejudicando sua rentabilidade, os planos de previdência continuam atraindo novos interessados, principalmente devido à possibilidade de dedução dos valores contribuídos do imposto de renda a pagar.
Para se ter uma idéia do diferencial de rentabilidade, entre início de junho e 17 de setembro os fundos DI registraram rentabilidade média acumulada de 4,30%, frente a 3,06% dos planos de previdência desta categoria. Apesar da maior rentabilidade dos fundos DI, a captação acumulada de todas as categorias de planos de previdência foi de R$ 1,1 bilhão neste mesmo, enquanto os fundos DI perderam R$ 19,8 bilhões.
Interesse pela previdência aumentou
Para o diretor da Itaú Previdência, Oswaldo Nascimento, a diferença está no perfil do investidor, enquanto nos fundos a maior parte investe por prazos curtos de tempo, nos planos de previdência, muitos pretendem deixar o dinheiro aplicado no longo prazo. Em um horizonte mais longo de investimento as perdas oriundas da marcação a mercado acabam perdendo importância, pois são recuperadas no futuro.
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A falência da previdência oficial acabou contribuindo para a maior procura pela previdência privada, especialmente entre os assalariados e autônomos, que viram nesta uma boa oportunidade de garantir um rendimento melhor ao se aposentar. De acordo com o presidente da Bradesco Vida e Previdência, Marco Antônio Rossi, até mesmo os indivíduos com mais de 50 anos se interessam pelos planos, pois buscam alternativas de planejamento tributário.
Vale lembrar que as contribuições aos planos de previdência podem ser deduzidas até um limite de 12% da renda bruta anual do contribuinte, de forma que no decorrer de alguns anos o benefício fiscal atinge quantias relativamente altas. Também buscam a proteção dos planos os pais que querem garantir os estudos dos filhos, como confirmam os dados do Itaú, um dos líderes do mercado, que afirma ter vendido 50 mil planos destinados ao publico jovem.
Novos produtos sustentam crescimento
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Finalmente o lançamento de novos produtos, de forma a atingir um público mais amplo de contribuintes também contribui para o crescimento da previdência complementar. Em março deste ano, foram lançados os VGBLs (Vida Gerador de Benefício Livre), que atendem a um público distinto dos PGBLs.
Enquanto os PGBLs atendem aos contribuintes que optam pela declaração completa de imposto de renda, os VGBLs são destinados ao público que está isento da declaração, ou que opta pelo formulário simplificado. Ao ampliar a base de clientes, o setor conseguiu garantir um crescimento sustentado, mesmo diante de um cenário de crise. Do total captado no ano, estima-se que cerca de 49% tenha sido destinado aos novos seguros resgatáveis, os VGBLs.
Na semana passada, o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Previdência Aberta (Anapp), Fuad Norman, declarou que o setor estaria trabalhando para lançar novos produtos no mercado ainda nos próximos meses. Os produtos em questão já estão em estudo há mais de um ano e buscariam sustentar o crescimento do setor ao atender público mais amplo.
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Os novos planos não passariam de uma versão mais aprimorada dos planos tradicionais, devendo concorrer principalmente com os PGBLs, já que os planos tradicionais praticamente não são mais comercializados.