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SÃO PAULO – Quando foram lançados em março deste ano, os novos seguros resgatáveis também conhecidos como VGBLs (Vida Gerador de Benefício Livre) tinham como objetivo atrair um universo distinto de investidores do que os PBGLs (Plano Gerador de Benefício Livre). Isto porque ofereciam um tratamento fiscal distinto, mais indicado para as pessoas que estão isentas de declaração de imposto de renda, ou que declaram através do formulário simplificado.
Produto atingiu público mais amplo
Surpreendendo até mesmo os mais otimistas, o produto se provou um sucesso de vendas, atraindo um público ainda mais amplo do que inicialmente previsto. Além de atrair os investidores que já ultrapassaram o teto de dedução do imposto de renda previsto nos PGBLs, que é de 12% de renda bruta, o novo produto atraiu os investidores que saíram dos fundos depois das perdas de maio.
Em maio deste ano, alguns fundos DI e de renda fixa registraram fortes perdas devido à introdução da regra de marcação a mercado para os títulos de dívida pública que possuíam em sua carteira de investimentos. Assustados com estas perdas muitos investidores optaram por sacar o dinheiro que tinham aplicado, migrando para outros investimentos. Apesar da maior parte das pessoas ter migrado para a caderneta de poupança ou até mesmo para os CDBs, algumas pessoas optaram pelos VGBLs.
A preferência pelos VGBLs se explica pelo fato de que a poupança seria vista pelo público mais esclarecido como pouco atrativa em termos de rentabilidade, enquanto os CDBs sofreriam um tratamento menos favorável com a cobrança de imposto de renda na fonte, além da incidência de CPMF a cada vencimento o que tornaria esta opção menos atrativa para quem investe no longo prazo.
Apesar dos recursos aplicados nos VGBL serem investidos em FIFs (Fundo de Investimento Financeiro) também sujeitos à marcação a mercado, o tratamento fiscal mais vantajoso acabou atraindo os investidores, que tem no planejamento fiscal um dos seus objetivos. Apesar da crítica de alguns especialistas de que a rentabilidade dos VGBLs seria pouco atrativa devido ao fato de que as taxas cobradas são muito elevadas, não se pode esquecer que se trata de uma aplicação recomendada para quem investe no longo prazo, quando a vantagem fiscal compensa as taxas mais elevadas.
Sucesso de vendas
Nos seis meses desde que foram introduzidos no mercado os VGBLs acabaram superando, e muito, as expectativas de vendas do mercado. O Bradesco Vida e Previdência, por exemplo, que responde por cerca de 80% do mercado de VGBL, captou até setembro cerca de R$ 1,2 bilhão, podendo chegar em janeiro com uma captação de R$ 2 bilhões. A expectativa inicial era de atingir R$ 1 bilhão até o final de 2002.
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Outra instituição que comemora o sucesso do produto é o Itaú Previdência e Investimento. Com a segunda colocação no mercado, a instituição conta com a maior carteira em termos de participantes, com cerca de 75 mil investidores. A surpresa, segundo o diretor executivo da instituição, Oswaldo Nascimento, fica por conta do fato do público de alta renda responder por 60% do patrimônio líquido dos VGBLs.
Além da vantagem fiscal, Nascimento acredita que o que atrai o público de alta renda é o fato de poder designar um beneficiário em vida para receber o dinheiro é outro atrativo, pois evita a burocracia com testamento, inventário e imposto de transmissão de bens intervivos.