Publicidade
SÃO PAULO – A reforma da Previdência Complementar adotada pelo governo passado contribuiu para mostrar às pessoas a importância de se preparar para o futuro, conceito até então praticamente inexistente entre os brasileiros devido ao descontrole dos preços.
Desde o final de 1998, quando surgiram no mercado os primeiros planos de previdência privada do tipo PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), o interesse por este tipo de produto aumentou significativamente, como ilustram as taxas de crescimento nos últimos anos, que giram ao redor de 35% a 40% ao ano.
Apesar do atual governo não demonstrar tanto interesse pelos planos de previdência individual, preferindo dar um impulso maior aos fundos de pensão, o fato é que toda esta discussão acerca da falência da Previdência Social e da necessidade de reformas no setor tem contribuído para um maior interesse das pessoas pela contratação destes planos.
Maior visibilidade aumenta procura por proteção
A tendência, que já havia sido ressaltada no início do ano pela maioria das empresas que atua no setor, está se confirmando ao analisarmos os resultados das vendas no primeiro bimestre do ano.
O diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência, Marco Antonio Rossi, informou que nos dois primeiros meses do ano, a procura por estes produtos aumentou cerca de 74% em relação ao mesmo período no ano passado. Na visão do executivo da Bradesco Vida e Previdência, as pessoas estão antecipando a reforma e promovendo sua própria reforma ao contratar planos de previdência complementar.
O atual presidente da Anapp (Associação Nacional da Previdência Privada), Oswaldo Nascimento, concorda e acredita que esta tendência deve se manter por algum tempo, visto que enquanto a população estiver preocupada em garantir rendimentos complementares durante a aposentadoria, o desempenho do setor deve continuar bastante positivo.
Continua depois da publicidade
Para os executivos do setor, a maior visibilidade do problema da Previdência, que agora ocupa as páginas dos principais jornais, levou a população não só a entender a gravidade da situação da Previdência Oficial, como também a compreender que o governo deverá garantir apenas o mínimo necessário, de forma que para garantir uma aposentadoria tranqüila as pessoas serão forçadas a procurar a previdência complementar.
Inovação e legislação favoreceram previdência aberta
Nascimento lembra que em oito anos a carteira de investimentos das entidades de previdência complementar aberta cresceu dez vezes, passando de pouco mais de R$ 3 bilhões em 1994 para cerca de R$ 31 bilhões no final do ano passado.
O setor espera fechar o ano de 2003 com reservas técnicas de cerca R$ 50 bilhões, o que embute uma expectativa de crescimento de cerca 71%, visto que no final do ano passado as reservas do setor estavam em cerca de R$ 29,3 bilhões.
Continua depois da publicidade
Para Nascimento, o maior crescimento da previdência aberta seria resultado não só da maior ênfase dada pelo governo anterior para este segmento da previdência complementar, como também ao fato de a legislação da previdência fechada ser mais rigorosa e do fato da previdência fechada já contar com uma carteira de investimentos quase cinco vezes maior do que a previdência aberta.
Enquanto a previdência aberta conta com uma carteira de investimentos de R$ 32 bilhões, a previdência fechada teria R$ 160 bilhões em investimentos.
Outro fator por trás do grande sucesso de vendas dos planos abertos nos últimos anos é a grande capacidade do setor de desenvolver novos produtos, voltados para públicos específicos, como os jovens, os profissionais liberais, etc.
Tendência deve mudar com governo Lula
A expectativa dos participantes do setor, contudo, é de que esta tendência mude durante o governo Lula, que pretende não só incentivar a criação de fundos fechados, como também suavizar a legislação que no passado engessou o crescimento da Previdência fechada no país.
Esta é a opinião de alguns especialistas do setor, que acreditam que a diretriz do novo governo é de diminuir o abismo que existe entre a previdência fechada e aberta deve contribuir para a criação de novos fundos fechados. Também contribuiria para o maior crescimento dos planos fechados a criação da figura dos instituidores, que permitirá que organizações de classe e sindicatos possam criar fundos de pensão para seus associados.