Publicidade
SÃO PAULO – De acordo com a Nota sobre Operações de Crédito no Sistema Financeiro, publicação mensal do Banco Central, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, isto é, concedidos com recursos das próprias instituições, e não com base nos recursos captados no mercado, como depósitos, subiu de 8,7% em março para 8,8% em abril.
Com isso, a inadimplência segue em trajetória ascendente desde o início do ano, quando a taxa chegou a 7,9%, abaixo dos 7,7% apurados em dezembro de 2002. Este é também o patamar mais alto desde junho de 2002, quando havia atingido 8,8%
Aumento da inadimplência
No segmento pessoa física, a proporção de operações em atraso manteve-se estável em abril comparativamente ao mês de março, perfazendo 15,7% do total das operações de crédito. Vale destacar que no final do ano passado o nível era de 14,6%.
No que se refere à inadimplência entre pessoas jurídicas, relativamente às operações de crédito, a taxa subiu de 4,5% em março para 4,6% em abril, também dando seqüência à trajetória de alta da inadimplência verificada também desde o início do ano.
Maior inadimplência relacionada à aquisição de bens
Dentre as várias modalidades de empréstimos à pessoa física, a maior taxa de inadimplência ficou com as operações de aquisição de bens, com 22,9% de inadimplência. Em seguida, ficaram as operações de crédito pessoal (15,1%), aquisição de veículos (12,3%) e cheque especial (10,0%).
No caso do financiamento de compra de bens, que incluem basicamente os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) para compra de eletrônicos e linha branca, 12,2% das operações estão com atraso de mais de 90 dias, enquanto 10,7% destas operações estão com atraso de 15 a 90 dias.
Continua depois da publicidade
Em termos totais, cerca de 7,6% das operações de crédito para pessoa física estão com atraso de mais de 90 dias, frente aos patamares de 7,9% e 7,6% apurados em fevereiro e março, respectivamente. Por sua vez, as operações em atraso de 15 a 90 dias respondem por 8,1% do total de empréstimos a pessoa física, mesmo patamar registrado no mês anterior e bastante acima dos 7% registrados em fevereiro.
Mesmo com a adoção de políticas mais conservadoras na concessão de crédito por parte das instituições financeiras, a taxa de inadimplência, principalmente de pessoa física, segue em patamares elevados, em função das constantes elevações dos juros ao consumidor, associada à queda da renda do trabalhador brasileiro.