Perspectivas para 2002 são positivas

Perspectivas para 2002 são animadoras. O sentimento é que os eventos ruins que afetaram os mercados em 2001 teriam passado

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SÃO PAULO – O ano de 2001 foi marcado por vários acontecimentos ruins para o mercado. O ano teve um início bastante promissor, com a perspectiva de uma trajetória decrescente de juros e de forte crescimento econômico do Brasil, o que resultaria num ano bastante interessante para as bolsas. Entretanto, a crise Argentina, a alta do dólar, o racionamento de energia e a desaceleração da economia mundial minaram tais perspectivas, com forte deterioração no desempenho dos principais mercados. Por conta disso, o dólar alcançou a impressionante marca de R$ 2,835 e a bolsa chegou a cair mais de 34,4% no ano no pior momento.

Perspectivas para 2002 são bem melhores

Em contrapartida, as perspectivas para o ano de 2002 são bem mais animadoras. O sentimento é de que os eventos ruins que afetaram o desempenho dos mercados neste ano teriam passado pelo auge, de forma que existiria um espaço para a recuperação nos próximos meses. Sem dúvida, um desfecho para a crise da Argentina dentro do que o mercado financeiro esperava, ou seja, com um calote da dívida externa e com uma provável desvalorização do peso trazem um sentimento de alívio ao mercado. Este sentimento pode ser evidenciado pelo descolamento do Brasil em relação à Argentina, evidenciado pelo risco-país de ambos.

Descolamento da Argentina deve se consolidar

Por conta do medo do default da dívida Argentina e não podendo se desfazer de pesos argentinos atrelados ao dólar pelo modelo do currency board, investidores estrangeiros utilizaram a moeda brasileira para se desfazer de ativos em risco, o que pressionou bastante a cotação da moeda americana até o final do mês de outubro. No entanto, a diminuição do contágio da situação Argentina fez com que o dólar se desvalorizasse frente ao real nos últimos dois meses. Também contribuíram para a queda do dólar a melhora nas contas externas do país e o bom resultado da balança comercial brasileira que deve fechar o ano em superávit de mais de US$ 2,3 bilhões.

Queda do dólar diminui pressão sobre a inflação

O recuo nas cotações do dólar, por sua vez, diminuem o repasse da alta da moeda para os preços de produtos e serviços no Brasil, diminuindo a pressão sobre a inflação. Nesse sentido, a divulgação de índices de dezembro de 2001 evidenciando a desaceleração contribui para que a perspectiva de inflação para 2002 seja menor. Diante desta desaceleração o Brasil seria capaz de cumprir com as metas do FMI em 2002, que está em 4% no ano com margem de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. Do ponto de vista do efeito dos preços administrados pelo Governo, a já anunciada queda de 20% dos preços da gasolina em janeiro de 2002 deverá compensar o aumento das tarifas de energia. O aumento nas tarifas foi necessário para compensar a implantação do racionamento em 2001 que, de acordo com a última Ata do Copom, deverá atingir 19% no ano.

Inflação menor deve dar espaço para queda de juros

Com a queda da inflação esperada para 2002 e a política agressiva de redução de juros adotada nos EUA e seguida pela Europa, numa intensidade menor, o Banco Central brasileiro deve encontrar espaço para promover novas reduções de juros ao longo de 2002. A questão é saber quando o BC deve começar a executar esse movimento. Além disso, o ano de 2002 é ano de eleição e o governo deve ter uma política mais expansionista e reduzir juros, possibilitando um crescimento maior da economia no próximo ano. A redução ou mesmo até a suspensão do racionamento de energia em 2002, que já está sendo cogitada, deve contribuir para que o crescimento possa ser ainda maior. Mesmo que o nível dos reservatórios não atinja patamares desejados, os investimentos em novas fontes de energia, principalmente as termelétricas devem ser suficientes para garantir o fornecimento pleno de energia.

Risco político deve ser a maior preocupação ao longo de 2002

A recuperação da economia americana, esperada pela maior parte dos analistas de mercado para o segundo semestre do ano que vem, certamente ajudará o Brasil e isso já está incorporado no preço dos ativos. Entretanto a maior preocupação hoje e que deve permanecer durante a maior parte do ano de 2002 é sem dúvida a eleição presidencial marcada para outubro. O risco de descontinuidade política ainda é significativo, já que os candidatos de oposição ainda lideram as pesquisas por larga margem. No entanto, a diferença vem diminuindo nestes últimos meses e o governo ainda não anunciou qual será seu candidato, o que só deve ocorrer nos primeiros meses do ano. Caso esse candidato mostre condições de competir com a oposição, isso diminuirá a percepção de risco de uma descontinuidade o que também pode ser positivo para os mercados.

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Dólar deve seguir de perto o cenário político

Desta forma, as perspectivas para o ano de 2002 continuam favoráveis, por conta de que os eventos negativos já foram incorporados aos preços dos ativos. Caso o Brasil continue a mostrar resultados fiscais positivos, contas externas equilibradas e um bom desempenho da balança comercial, o dólar deve apresentar um comportamento menos volátil, devendo ser guiado de forma intensiva pelo cenário político. Caso o candidato do governo seja eleito, é possível que o dólar volte a se depreciar frente ao real, buscando um novo patamar de equilíbrio no final do ano que vem.

Juros em queda: bolsa deve subir

Do ponto de vista dos juros, o mercado deve trabalhar com uma curva de expectativa de juros declinantes para 2002, ainda com bastante incerteza com relação a qual patamar de juros irá predominar ao longo do próximo ano e até onde deve haver espaço para cortes. Diante deste cenário, de queda de juros, as empresas brasileiras devem melhorar suas performances, o que deve se refletir numa valorização de suas ações e da bolsa brasileira.

Deste modo, o mercado brasileiro pode estender a recuperação iniciada em novembro de 2001 ao longo do próximo ano, já que a maior parte das empresas listadas em bolsa continua em processo de expansão de suas atividades e de novos investimentos. Diante de novos investimentos e as boas perspectivas para a economia as empresas devem apresentar resultados melhores, o que deve contribuir para que a Bovespa possa encontrar espaço para subir, depois de dois anos consecutivos (2000 e 2001) de queda.

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