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SÃO PAULO – Apesar do otimismo do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, que espera para o final de abril ou início de maio a tão esperada queda nos preços do álcool combustível, há quem acredite que isso não deve acontecer em breve, e os grandes culpados não seriam os usineiros, mas o governo federal e a cultura empresarial brasileira.
“Independentemente da questão do álcool, a experiência do Brasil é a de que o que sobe não desce”, acredita o mestre em administração pela FGV/SP, Carlos Eduardo Valente Stempniewski.
Alta no mercado interno
Para Stempniewski, a alta do combustível no mercado interno, neste início de ano, se deve ao bom preço do álcool no mercado internacional e ao início da safra.
Além disso, a redução no nível de atividade econômica vem contribuindo para a redução no consumo de todos os tipos de combustíveis. De acordo com a Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), a demanda pelo álcool caiu 23% nos últimos 15 dias na capital paulista.
Diante disso, ele acredita que a diminuição ou aumento do preço nas usinas seja apenas um pano de fundo. “Cada litro [de álcool] vendido representa uma margem de 10% a 15% para os donos dos postos cobrirem seus custos operacionais”, explica o especialista. “Assim, os comerciantes não devem abrir mão dessa margem”.
Margem de distribuição elevada
Além dos empresários, que não costumam diminuir os preços depois de aumentá-los, para Stempniewski os maiores responsáveis pela manutenção dos preços nos níveis atuais são as distribuidoras.
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De acordo com o especialista, o trabalho pesado fica a cargo dos usineiros: eles investem no plantio da cana-de-açúcar, colhem o produto e produzem o combustível. Seria, portanto, muito difícil esperar que esses empresários reduzissem sua margem de lucro.
As distribuidoras, contudo, só teriam o trabalho de retirar o combustível dessas usinas e levá-lo até os postos. Assim, na sua visão seriam, portanto, esses intermediários que poderiam baixar seus preços.
Vale notar que a maior dessas distribuidoras é a Petrobras, que não pretende reduzir seu faturamento com a distribuição. Segundo Stempniewski, se a estatal tomasse essa decisão, seus grandes investimentos, como a construção de navios petroleiros, poderiam ser prejudicados.
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Como o governo federal tem na Petrobras uma boa vitrine, seria impensável considerar que, em pleno ano eleitoral, ele exigiria da petrolífera uma redução em seus preços de distribuição do álcool.
Outros fatores
Mesmo que os usineiros estejam dispostos a reduzir a sua margem, o especialista não acredita que o preço final para o consumidor caia de forma significativa. Além de não ser possível garantir que os custos de intermediação (comércio e distribuição) irão cair, outros fatores devem influenciar a evolução dos preços.
Dentre eles, Stempniewski cita o custo do diesel, o aumento do salário mínimo (a partir de abril) e das contribuições sindicais.
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Além disso, a recente redução para zero na alíquota de importação do produto não terá qualquer influência sobre os preços internos, uma vez que o País não importa álcool combustível de nenhum outro país, como ressalta o especialista.