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SÃO PAULO – O brasileiro já pode esperar por aumento no preço do gás. Essa provavelmente será a primeira conseqüência para o consumidor nacional depois que o presidente da Bolívia, Evo Morales, decidiu estatizar as refinarias de petróleo e gás das subsidiárias multinacionais presentes naquele país (Petrobras, inclusive).
Pelo menos essa é a expectativa mais otimista do pesquisador da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Giuseppe Bacoccoli.
Pessimismo
Em um cenário mais nebuloso, a interrupção do fornecimento de gás ao Brasil seria a conseqüência mais desastrosa, já que mais da metade do gás consumido por aqui é retirado das reservas bolivianas, segundo Bacoccoli.
Mesmo assim, o especialista não acredita que os bolivianos devam deixar de fornecer o combustível por muito tempo, já que o gás é o principal produto boliviano.
“E certamente a Bolívia precisa, não somente dos nossos conhecimentos, como também da nossa tecnologia”, disse o pesquisador, ao lembrar que o Brasil é o único país em desenvolvimento que detém toda a tecnologia relacionada ao petróleo e ao gás natural e que 40% deste produto produzido naquele país foi descoberto e está sendo processado pela Petrobras.
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Bolívia deve ficar com 82% do valor da produção
A intenção de Morales é ficar com 82% do valor de produção do gás e destinar apenas 18% às empresas estrangeiras. “Ele tem alguma razão quando se vê que o preço do petróleo subiu bastante no mercado internacional e o preço do gás natural deveria seguir o preço do petróleo. Então, seria, até certo ponto, imaginável um pequeno aumento da tarifa”, avaliou Bacoccoli.
“Neste momento, ele fala em cobrar 82% justamente dos campos que produzem mais, que são San Antonio e San Alberto, de propriedade da Petrobras. Nos demais campos, ficaria com 60% para o governo boliviano”, explica o pesquisador ao informar que os royalties pagos pelas companhias estrangeiras que exploram e produzem gás na Bolívia subiram de 30% para 50% antes do novo presidente ser eleito.
Mau gosto
“Ele disse que quer fazer uma sociedade com os brasileiros, ficando com 51% de tudo o que nós temos lá”, criticou Bacoccoli. “Até onde eu entendo, eles não têm dinheiro para pagar pelos 51%. Então é o seguinte: a Petrobras entra com pelo menos duas partes, que são investimento e tecnologia, e a Bolívia entra com a bandeira nacional. É uma brincadeira de mau gosto”.
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Para ele, a resolução deve ser tomada pela Organização Mundial do Comércio (OMC). “O que resta ao Brasil fazer agora é apelar às cortes internacionais e pensar em agir de uma maneira um pouco diferente com a nossa diplomacia”, concluiu.