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Retorno das férias e junto temos as finais das duas competições europeias de clubes de futebol.
Num modelo diferente em função da pandemia, vimos as partidas da Champions League e da Europa League serem disputadas a partir das quartas-de-final em jogo único e as competições restritas a dois países: a Champions foi disputada em Portugal, enquanto a Europa foi jogada na Alemanha.
Começamos o tema com uma constatação importante: nem tudo que reluz é ouro, e no futebol todas as definições e certezas caem por terra de uma temporada para outra, quando não em espaço de tempo de algumas rodadas.
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Se no ano passado vimos as duas finais com 4 clubes ingleses (Liverpool, Tottenham, Chelsea e Arsenal), o que indicava que “agora o futebol inglês ocupou um espaço se supremacia”, na atual temporada temos quatro finalistas de quatro países diferentes.
Enquanto a Europa League terá a final entre Inter de Milão (Itália) e Sevilla (Espanha), a Champions verá a disputa entre Bayern (Alemanha) e PSG (França). Mesmo entre os oito semifinalistas tivemos apenas um inglês, o Manchester United, que foi eliminado pelo Sevilla.
Na verdade, nada é o que parece ser.
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Na Europa League, veremos o confronto de dois clubes com modelos de controle acionários distintos.
Enquanto os italianos da Inter são controlados pelo grupo chinês Suning, o Sevilla tem controle dividido entre diversos acionistas e grupos com destaque para dois grandes blocos comandados pelo grupo Sevillistas de Nervión (21%) e Rafael Carrión (15%) de um lado e Del Nido (24%) e Gomes Minán (4%) de outro.
Ambos são limitadas. Mas enquanto a Inter tem suas decisões nas mãos de um único acionista, o Sevilla tem conselho de administração, eleições que podem mudar sua composição e consequentemente sua gestão.
Em termos de resultados os clubes são assim comparados:
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A Inter tem na média dos dois anos 128% a mais em receitas e gastou 84% acima do Sevilla com pessoal. É efetivamente um time mais rico, com atletas mais caros como Lukaku, Lautaro Martinez, Eriksen. Veremos se isso é capaz de se transformar em título.
Champions League
Vamos à cereja do bolo, a final da Champions League entre Bayern e PSG. Dois clubes com controles acionários diferentes, mas mais coisas em comum do que se imagina.
Antes, um parêntese: na semifinal da Champions League, tivemos disputas envolvendo quatro modelos diferentes de controle acionário: Bayern e o tradicional “50% + 1” alemão; PSG e a limitada de dono; Lyon e o capital aberto; e o RB Leipzig, que é uma limitada, de dono, mas com forte característica de clube de marca.
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Enquanto o PSG é controlado desde 2011 pelo Estado do Qatar, que investiu mais de € 1 bilhão em aquisição de atletas no período – com destaque para Neymar e Mbappé, que custaram mais de € 350 milhões somados – o Bayern de Munique é uma típica estrutura alemã, conhecida como “50% + 1”, o que significa dizer que ele é uma empresa na qual o clube social que lhe deu origem tem 50% das ações mais 1, de forma que ele mantenha o controle.
O que aproxima os dois clubes é o fato de o Bayern ter entre seus acionistas três grandes empresas alemãs: a Audi, a adidas e a Allianz, com 8,33% de participação cada, compondo com os 75% do clube social. Isso lhe permite obter receitas comerciais oriundas desses parceiros, mais da T-Systems, que se equivalem ao que o PSG obtém.

Para se ter uma ideia da relevância dessas receitas comerciais, o Barcelona teve € 383 milhões em 2018/19, a maior da Europa. Acima dos € 300 milhões, há cinco clubes: Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Bayern e PSG.
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O próximo na lista é o Manchester City, com € 261 milhões. Ou seja, em 2018/19, o Bayern foi 37% superior ao City, enquanto o PSG teve 39% acima do clube inglês em receitas comerciais.
Agora, a partir de uma matéria do site Calcio & Finanza, trago alguns comparativos de evolução de receitas e custos com pessoal dos dois finalistas da Champions League desta temporada.

Observe que a evolução do PSG é bastante considerável desde a chegada do Qatar ao controle acionário do clube.
O mais interessante é verificar que os custos com pessoal crescem acima das receitas na comparação com o Bayern, o que mostra que para receitas semelhantes o clubes francês gasta mais.
A seguir, temos a evolução das receitas e gastos com pessoal do PSG em relação ao Bayern, destacando justamente essa evolução.

Note que as receitas do PSG estão consistentemente abaixo das receitas do Bayern, na casa dos 90% em média. Entretanto, os gastos com pessoal do PSG são 10% acima dos gastos do Bayern desde a temporada 2012/2013.
Mas isso teve algum impacto esportivo no período? Não. Na prática, desde 2010/11, o Bayern esteve em duas finais, sendo campeão em 2012/13.
Isso mostra que a construção de um campeão se dá ao longo de um tempo, e não basta dinheiro. O dinheiro ajuda nessa construção, com a formação de bons elencos, mas é fato que para vencer é necessário uma camisa vencedora.
E claramente este é o caminho que vem sendo trilhado pelo PSG ao longo do tempo. Se este será o momento, só saberemos ao final da partida.
Mas desde a chegada de Neymar e Mbappé, o time agregou qualidade decisiva e se torna efetivamente uma equipe com cara de vencedora.
Para o Bayern, será mais uma final, mais uma oportunidade de conquistar a Europa. Uma camisa forte e vencedora.
Temos dois clubes ricos, fortes, globais. Ainda que as competições em formato de copa permitam a chegada de times de menor receita, como foi o Ajax na semifinal do ano passado e o RB Leipzig e Lyon na atual, há sempre maior chance de termos milionários decidindo. É a dinâmica do futebol moderno, na qual o dinheiro faz sempre a diferença.
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