Publicidade
SÃO PAULO – O pão francês pode ficar 10% mais caro já no próximo mês. A expectativa foi lançada pelo presidente do Sindicato e Associação dos industriários de panificação e confeitaria, Antero Pereira.
Segundo ele, o motivo é o aumento de 18% na farinha de trigo, empregado em outubro. A matéria-prima representa 25% do valor final do produto, o que geraria a necessidade desse encarecimento ao consumidor.
“Foi evitado repassar o preço este mês por causa da mudança de cobrança de unidade por quilo. Não queríamos dar falsa impressão”, afirmou Pereira.
Safra
A safra do trigo está 50% menor, contou o sindicalista. Esse cenário soma-se à escassez do grão no mercado externo, o que gera, por conseqüência, sua valorização. Há cerca de dois meses os fabricantes chegaram a pagar 40% a mais pela mesma quantidade de farinha. “Mas conseguimos segurar o preço, e ele voltou aos patamares anteriores”, esclareceu.
Dessa vez, contudo, não há tendência de queda. Além disso, em novembro também será negociado o dissídio dos trabalhadores da categoria, o que deve aumentar os custos das padarias e resultar em um novo aumento do pãozinho.
Generalizado
No entanto, o sindicalista lembrou que o repasse do aumento não é algo generalizado. A associação não impõe reajustes – fica sempre a critério do comércio qual preço será empregado. Exatamente por isso algumas unidades já devem estar cobrando mais caro ou então não terão necessidade de ampliar sua receita.
“Em regiões mais valorizadas, o quilo do pão chega a custar R$ 7, contra R$ 4, que é o menor preço na cidade. Com isso, quem cobra mais tem um plus maior, o que pode dar mais fôlego nos ganhos.”
Continua depois da publicidade
Mudança na venda
O sindicalista comemorou ainda a mudança na venda do pãozinho, de unidade para quilo. Segundo ele, o preço cobrado torna-se mais justo, tanto para o consumidor quanto para a própria padaria.
“Na vida útil, o pão perde sua umidade. Em cerca de duas horas, de 50 gramas, que era o peso padrão, ele passava para 48 gramas. Se a fiscalização baixasse, haveria problemas”, explicou.
Gramas
Exatamente por conta disso as lojas faziam cada pão com até 60 gramas. “Agora as pessoas pagam exatamente pelo que compram.”
Continua depois da publicidade
Na avaliação de Pereira, reclamações de consumidores no início da transição é algo comum. “As pessoas, depois de 50 anos comprando por unidade, acabam ficando mais receosas“, opinou.