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SÃO PAULO – Começa a valer nesta segunda-feira (20) a nova composição do álcool à gasolina, de 20% para 23% do total. A medida seria uma manobra para aumentar o consumo do combustível derivado de cana-de-açúcar, uma vez que a alta oferta do produto poderia gerar uma queda contínua em seu preço.
As informações foram dadas pelo presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, em recente entrevista à Infomoney.
O que muda?
A pergunta que fica é: o que isso mudará para o consumidor? Especulações não confirmadas apontam a possibilidade de que o combustível derivado de petróleo fique até 1,5% mais barato na bomba. Contudo, vale lembrar que essa redução não deixa de ser comum em levantamento semanal de preço divulgado pela Agência Nacional de Petróleo.
À época das polêmicas envolvendo a nova composição da gasolina, Gouveia afirmou que a população não sentirá a curto prazo qualquer alteração. O que o sindicalista lembrou, no entanto, é que a entressafra da cana de açúcar começou em 15 de novembro.
Com isso, a oferta do produto diminuiria o que, por conseguinte, resultaria em um aumento de preço.
“Por enquanto tem muito do produto no mercado, por isso que os preços estão baixando. Exatamente por isso que os usineiros querem aumentar suas vendas”, havia detalhado.
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Crise
Vale ressaltar ainda que no ano passado, a crise na oferta do combustível fez com que o valor do álcool cobrado pelos usineiros às distribuidoras aumentasse em 96%. A crise, conforme Gouveia, foi resultado de diversos fatores: queda na produção da matéria-prima, aumento das exportações do produto – o que diminuiu a oferta no mercado interno.
Somou-se a esse cenário a popularização dos carros bicombustíveis, que aumentou ainda mais a demanda.
Valores
A valorização, no entanto, não foi completamente dissipada após a melhoria da oferta. Para se ter uma idéia, enquanto no primeiro trimestre deste ano o litro do álcool valia na bomba cerca de R$ 1,65, no mesmo período de 2005 o valor era de R$ 0,90.
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“Os postos podem vender o álcool com um preço de até 60% do cobrado pela gasolina”, explicou o sindicalista, lembrando que isso se baseia no custo-benefício da troca de um combustível pelo outro. Com o litro da gasolina custa em média R$ 2,49 nos postos brasileiros, o álcool poderia valer até R$ 1,74. Seu preço médio, no entanto, é de R$ 1,37.
“Só que com muita oferta do produto é difícil aumentar esse preço por causa da concorrência”, finalizou.