Dia do Meio Ambiente: desafio do século é crescimento aliado à ecologia

O etanol foi citado como uma das alternativas para o aquecimento global. Mas uso da floresta deve ser modificado

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SÃO PAULO – O grande desafio do século 21 é a continuidade do crescimento sem que haja graves comprometimentos ecológicos. Durante a comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, esse foi o tema lembrado pelos participantes do evento Ethanol Summit, realizado entre estas segunda (04) e terça-feira (05), em São Paulo. “Lutamos no limiar de reconstruir a base energética da revolução industrial, que utilizou a energia como se fosse algo permanente”, afirmou o presidente da mesa, ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

E como não poderia ser diferente, uma vez que o produto “emprestou” (em sua versão inglesa) o nome ao evento, o etanol figurou como uma das principais alternativas para a resolução desse problema e, em principal, do aquecimento global. De qualquer maneira, foi citado que, antes de qualquer coisa, é preciso fazer algumas modificações no sistema brasileiro para que ele seja realmente efetivo.

Mal uso e instabilidade

“Nosso problema com poluição não é o uso de energia, mas sim o mal uso da floresta, com as queimadas. Ainda temos altas emissões de gás carbônico (CO2), mesmo com 45% de nossa matriz sendo composta por energia limpa”, adicionou Fernando Henrique.

George Soros, representante da Open Society Institute e Soros Foundations Network, lembrou – utilizando o produto brasileiro como exemplo – que as matrizes limpas são uma alternativa ao mundo inteiro, uma vez que a dependência de combustíveis fósseis causa instabilidade na economia de todos os envolvidos.

“Sem deixar de lado o aquecimento global, que é o motivador principal da busca por outras fontes de energia, existem também as instabilidades nos países produtores de petróleo, como é o caso da Nigéria e o Irã”, lembrou.

Conforme o especialista, as modificações nas matrizes energéticas têm um alto custo. No entanto, com o passar do tempo, há uma redução gradual nesses gastos. “A não ser que modifiquemos nossos sistema, acabaremos destruindo nossa civilização”, concluiu.