Com dólar baixo, brasileiro sofre menos com alta mundial de preços de alimentos

Segundo economista da FGV, inflação de produtos é contida por desvalorização do dólar e fica em 1,8%, ante 6% na Inglaterra

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SÃO PAULO – A alta dos preços dos alimentos no Brasil foi menor do que no mercado internacional, nos últimos doze meses, devido à queda do dólar frente ao real, segundo levantamento feito pelo economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

Enquanto o valor dos alimentos brasileiros subiu 1,8% em um ano, a inflação nacional do período foi de 2,8%. Na Inglaterra, por exemplo, a alta de preços dos alimentos foi de 6% ante inflação geral de 2,5%.

Compra mais econômica

Mas isso não significa que ficou mais barato comprar em supermercados, porque somente alguns alimentos diminuíram de preço, segundo o economista.

Entre eles, destacam-se o açúcar (-16,76%), o lombinho, com queda de 3,23%, o macarrão (-2,72%) e massas prontas (-2,78%). Além disso, o azeite de oliva teve queda de 2,64%, o presunto, de 2,5%, e a manteiga, de 1%.

Por outro lado, Quadros disse que o preço da carne bovina cresceu 6,35% nos últimos 12 meses. “Poderia ter subido muito mais porque a procura está grande no mercado internacional, mas a queda do dólar no Brasil fez conter uma grande alta”, explicou.

Matérias primas

Enquanto o preço das matérias-primas de alimentos tem subido em índices próximos a 25% no mercado internacional, no Brasil elas sobem em 10%. “Já que os preços no mundo sobem em dólar e a moeda está mais barata no Brasil, sobe menos para nós”, disse.

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Apesar de estar tendo aumento de preço de matéria-prima importada como milho, soja, açúcar e carne no mercado internacional, por causa do desenvolvimento das economias mundiais, o Brasil não tem sofrido os efeitos desta inflação.

Aumento de salários

Além da queda do dólar, o brasileiro tem sido beneficiado pelo crescimento da renda. “Mesmo que a inflação nacional tenha sido de 2,8% nos últimos doze meses, houve uma melhora do poder aquisitivo da população, que cobre este aumento dos preços”, disse.

Segundo dados de abril do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no confronto com mesmo mês de 2006, o rendimento médio do trabalhador teve variação positiva de 5%.