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SÃO PAULO – O brasileiro só deve sentir um barateamento no leite e em seus derivados dentro de dois meses, com a chegada de outubro. Segundo a Comissão de Pecuária de Leite, naquele mês acabará o período de entressafra da produção – com menos chuvas, as vacas se alimentam menos e, por conseqüência, produzem em menor quantidade.
Até abril, o litro da bebida estava estimado em, aproximadamente, R$ 1,19. Atualmente, a mesma quantidade sai por R$ 2,19. “O setor produtivo não pode quebrar em função do consumidor. Agora, o que não pode querer é que o consumidor continue comprando leite a R$ 1 o litro”, afirmou à Agência Brasil o presidente da comissão, Rodrigo Albim.
Aumento
A prévia da inflação oficial de julho aponta que, no sétimo mês deste ano, são os alimentos que mais pesam no bolso do consumidor. Conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), o grupo Alimentação e Bebidas respondeu por quase toda a inflação do período: enquanto que o índice fechado foi de 0,24%, o encarecimento do conjunto de produtos foi de 1%, tomando como base o levantamento de junho.
Técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsáveis pelo cálculo do IPCA-15, explicaram que os alimentos tiveram peso de 0,21 ponto percentual na composição geral – praticamente a totalidade da variação. E como é verificado há algum tempo, o item leite e derivados foi o motivador do aumento, ficando 9,25% mais pesado no bolso.
Com a menor oferta de leite pasteurizado, o consumidor passou a pagar 14,43% mais do que em junho, marcando um encarecimento de 33,57% no ano. Em julho, o leite em pó ficou 6,68% mais caro e os preços dos queijos subiram 3,75%.
Entressafra x vendas
De acordo com a Associação Brasileira do Leite Longa Vida (ABLV), o produto está mais caro, pressionado pelo período de entressafra: com menos chuva, cresce menos pasto, o gado se alimenta menos e, portanto, produz menos.
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Além disso, a demanda pelo produto no mercado externo aumentou. No ano passado, foram vendidos 528 milhões de litros. Neste ano, estima-se que esse total chegue a 800 milhões. O preço cobrado por tonelada dobrou: antes era de US$ 2,3 mil e agora está em US$ 5 mil, informou a ABLV.