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SÃO PAULO – No que depender do direcionamento do cenário externo, a volta do feriado deve trazer alguma volatilidade e ajuste de expectativas aos mercados brasileiros. Apesar da instabilidade vista na abertura, o teor negativo predominou no pregão norte-americano, levando as bolsas a encerrarem os negócios no vermelho.
A interpretação dos indicadores econômicos divulgados na sessão e a predominância de eventos negativos no lado corporativo trouxeram desconforto ao ambiente de negócios. O resultado trimestral aquém das projeções da J.C. Penney, pressionado pelas fracas vendas nos dois últimos meses, levou os papéis da terceira maior rede de departamento dos EUA a forte queda.
O setor financeiro voltou a preocupar os investidores. Juntando-se ao grupo de instituições financeiras norte-americanas que recentemente divulgaram perdas bilionárias com o subprime, o Barclays, terceiro maior banco britânico, anunciou baixas contábeis de US$ 2,7 bilhões entre julho em outubro.
Alimentando a apreensão dos mercados, o banco de investimentos Wells Fargo declarou que as perdas oriundas do subprime ainda podem aumentar este ano. Atrelado a este ambiente negativo, resultados corporativos abaixo do esperado reforçaram o pessimismo no mercado europeu, levando as principais bolsas da região a expressivas perdas.
Brasil volta do feriado com cenário de apreensão
“O retorno dos temores com o subprime ocorre em um momento onde ainda pairam incertezas sobre o comportamento da economia norte-americana nos próximos trimestres, o que gera um viés negativo nos mercados”, diz o Banco Schahin em relatório.
Para o BB Investimentos, a volta do feriado dependerá principalmente da repercussão dos investidores diante dos indicadores econômicos divulgados nos EUA. “No momento, o Ibovespa tem resistências em 66.000 e na casa dos 67.700 pontos e suportes em 61.500 pontos e nas proximidades dos 59.500 pontos”.
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Além da repercussão dos eventos desta quinta-feira, a retomada das atividades na bolsa brasileira também deve ser ditada pelas expectativas sobre os indicadores do setor industrial que serão divulgados às 12h15 (horário de Brasília).
Agenda econômica esquenta dúvida sobre próximo passo do Fed
A agenda econômica foi carregada de indicadores relevantes nesta quinta-feira, e também mexeu com o humor dos mercados. Dado que o Federal Reserve equiparou o monitoramento de pressões inflacionárias ao combate aos riscos de desaquecimento econômico nos EUA, os investidores seguem à procura de pistas sobre os próximos passos da política monetária do país.
Neste contexto, o monitoramente dos dados econômicos divulgados nesta quinta-feira trouxe ajuste de expectativas frente a próxima reunião do Fed, agendada para 11 de dezembro. O NY Empire State Index mostrou uma desaceleração bem menor do que a esperada na atividade industrial nova-iorquina no mês passado.
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Já o Consumer Price Index relativo a outubro marcou inflação idêntica à registrada em setembro, dentro do esperado pelo mercado. No acumulado de 12 meses, a alta nos preços marcada pelo indicador é de 3,5%. O Core CPI registrou em outubro inflação de 0,2%, com o acumulado de 12 meses ficando em 2,2%.
Na opinião da equipe de analistas da Tendências Consultoria, o bom comportamento dos preços no varejo é fundamental para dar espaço ao Federal Reserve para cortar o juro básico se necessário. “Contudo, uma variação anual do núcleo acima de 2% sugere cautela para a política monetária, o que justifica a nossa expectativa de que o Fed deve ficar parado nesta reunião de dezembro”, conclui a consultoria.