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SÃO PAULO – A conversão de carros para uso do GNV (gás natural veicular) caiu 31% entre 2006 e 2007, conforme levantamento do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo). Em números, foram 187.040 adequações no ano passado contra 272.610 registradas no ano retrasado. Apenas a título comparativo, em 2005, foram registrados 216.336 procedimentos do tipo.
Para o coordenador da Comissão de GNV do IBP, Rosalino Fernandes, esse comportamento de queda é resultado dos problemas de abastecimento do combustível registrados no fim do ano passado. “Essa é uma reação natural das pessoas que se sentem ameaçadas. Elas recuam”, afirmou.
Redução de volume
No dia 31 de outubro, a Petrobras reduziu em 17% o volume do gás natural fornecido a duas distribuidoras do Rio de Janeiro e uma de São Paulo – cidades que formam o maior mercado consumidor brasileiro.
A situação no estado fluminense foi normalizada no mesmo dia, após a Justiça obrigar o fornecimento por meio de liminar. Antes disso, contudo, postos de combustível ficaram por horas sem receber o produto. Especificamente em São Paulo, a distribuidora Comgás (Companhia de Gás de São Paulo) “manteve entendimentos com a Petrobras, primando pelo espírito de parceria e cooperação com seu principal fornecedor, mas sempre buscando preservar os interesses de seus clientes, investidores e fornecedores”.
A petrolífera teve de diminuir o fornecimento de gás às empresas para direcioná-lo a termelétricas: por conta da estiagem, a geração de eletricidade das hidrelétricas ficou comprometida, sendo necessário apelar à produção de energia feita pelas usinas de óleo diesel.
Temeridade
Para completar, na última terça-feira (22), a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou que converter carros para que possam ser abastecidos com GNV é uma “temeridade”. A ministra classificou de “menos nobre” a utilização do combustível em veículos de passeio.
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“Existem duas alternativas [para abastecimento], o álcool e a gasolina”, acrescentou, lembrando que o gás é necessário para ser utilizado como combustível em termelétricas, em havendo necessidade de geração de energia.
Exatamente por conta dessa insegurança quanto à disponibilidade do produto, Fernandes acredita que, ao menos por enquanto, haverá uma queda nas conversões. “As pessoas vão verificar o que vai acontecer. Mas acredito que a situação deve se normalizar”, adicionou.
Vantagem
Mesmo diante da possibilidade de desabastecimento e até mesmo encarecimento do GNV acima do normal, o combustível ainda é mais vantajoso em relação ao álcool e a gasolina.
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Pela média, um motor roda 12 quilômetros/metro cúbico, quando abastecido com GNV. Quando se utiliza a gasolina, são rodados dez quilômetros/litro e, no caso do álcool, sete quilômetros/litro.
Ao tomar como base os preços médios nacionais, conforme dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o custo do quilômetro rodado fica da seguinte maneira:
| Combustíveis | |||
| Combustível | Preço do litro/ metro cúbico |
Preço do quilômetro rodado | |
| GNV | R$ 1,407 | R$ 0,12 | |
| Álcool | R$ 1,504 | R$ 0,21 | |
| Gasolina | R$ 2,507 | R$ 0,25 | |
Fonte: ANP
Compilação: InfoMoney