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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) divulgou nesta quinta-feira, 31 de janeiro, a ata da reunião realizada nos dias 22 e 23 deste mês, quando a autoridade monetária optou de forma unânime por manter a taxa Selic ao seu atual patamar de 11,25% ao ano.
Embasando sua decisão, o Copom expôs que, a despeito do quadro de maior incerteza mundial, a atividade econômica brasileira vem mantendo sua trajetória de crescimento, fundamentada principalmente pela demanda doméstica.
Paralelamente, indicadores de inflação recentemente divulgados não vêm demonstrando sinais de arrefecimento, assim como os dados de atividade econômica. Neste contexto de deterioração do balanço dos riscos inflacionários, uma postura de maior prudência faz-se necessária para assegurar um ambiente macroeconômico estável em horizontes mais longos.
“A persistência de uma atuação cautelosa e tempestiva da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que a inflação siga evoluindo segundo a trajetória de metas”, afirmou a autoridade no documento.
Riscos inflacionários
Em sua ata, a autoridade avalia que, ainda que em 2007 a inflação tenha permanecido consistente com as metas traçadas para o ano, o comportamento de diversos indicadores tem sido notavelmente menos favorável do que em trimestres anteriores.
Embora reconheça o efeito moderador do setor externo sobre a inflação, o comitê afirma que a contribuição deste para um cenário inflacionário benigno vem se tornando menos efetiva diante do forte ritmo de expansão da demanda doméstica, calcado ainda no processo de flexibilização monetária iniciado em setembro de 2005.
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“Parte relevante dos efeitos dos cortes de juros ainda não se refletiu no nível de atividade, e tampouco os efeitos da atividade sobre a inflação tiveram tempo de materializar-se por completo”, explica o Copom.
Setor externo e crise nos EUA
Quanto ao setor externo, a autoridade esclareceu que, mesmo no contexto de uma desaceleração econômica mundial e de maior volatilidade nos mercados globais, as perspectivas de financiamento externo para a economia brasileira sugerem que o balanço de pagamentos não deve apresentar risco iminente ao cenário inflacionário.
Entretanto, o Copom pondera que, por outro lado, continuam a se verificar pressões inflacionárias relevantes tanto em economias maduras quanto nas emergentes, o que evidencia um quadro inflacionário desfavorável em escala global.
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No que se refere à situação norte-americana, o comitê aposta em uma desaceleração econômica não muito prolongada, tendo em vista as expectativas de que as medidas de política monetária aplicadas pelo Fed suavizem os efeitos da crise hipotecária sobre a economia do país.
Futuras elevações na Selic?
O Copom trouxe ainda claros sinais de que, apesar de ter considerado a manutenção da taxa Selic como a decisão mais adequada no momento, caso os riscos inflacionários mantenham-se altos e o panorama internacional agrave-se ainda mais, nada impede futuras elevações no juro básico brasileiro.
“O Comitê reitera que está pronto para adotar uma postura diferente, por meio do ajuste dos instrumentos de política monetária, caso venha a se consolidar um cenário de divergência entre a inflação projetada e as trajetórias das metas”, sinalizou a autoridade.