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SÃO PAULO – A decisão da União Européia* de barrar a compra de carne de mais de duas mil fazendas brasileiras começa a surtir efeito: desde o final do ano passado, o produto está cerca de 20% mais caro no Velho Mundo. Já no Brasil, o alimento ainda não apresentou barateamento substancial nos primeiros dias de fevereiro.
“Desde o ano passado, a carne sobe na Europa, porque a quantidade disponível tem sido aquém da necessidade do mercado. Com a notícia das restrições, o processo se acelerou, porque o Brasil representa 50% do que eles importam”, explicou Sérgio de Zen, professor e analista do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Comportamento de preços
O comportamento de preços tanto ao consumidor da UE quanto ao do Brasil ainda é de difícil definição. Dados do Cepea mostram que no Estado de São Paulo o indicador Esalq/BM&F aponta para uma deflação de 0,90% na arroba do boi gordo, de R$ 74,4 em 31 de janeiro para R$ 73,73 em 8 de fevereiro.
Já na Irlanda, por exemplo, de acordo com a Scot Consultoria, o quilo da carcaça teve valorização de 1,88%, entre a última semana de janeiro e os primeiros dias de fevereiro, passando de 3,19 euros para 3,25 euros. Essa valorização foi classificada pela empresa como anormal para o período.
Necessidade e oferta
“É muito difícil conseguir dizer precisamente até quanto o preço vai subir na Europa, porque dependerá da capacidade de outros países ofertarem carne para seu mercado, bem como da deslocação do consumo para outro tipo de carne”, adicionou De Zen. “A verdade é que não tem de onde tirar o produto, eles precisam da produção brasileira”, adicionou.
Conforme o professor, que acabou de retornar da Inglaterra, onde participou de reunião com outros pesquisadores, a esperança é que a UE mude sua posição, assim que o encarecimento do alimento eleve a inflação interna. “Vai chegar um ponto que será necessária uma abertura, mas não vamos cadastrar duas mil fazendas para a exportação. Será um processo lento, durará alguns meses”, afirmou.
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Quanto à tendência de desvalorização do alimento no Brasil, o especialista esclareceu que não deve ser verificada tão intensamente quanto esperado. “A UE consome só 3% da produção brasileira, representando 33% das exportações e 18% do volume exportado”, disse.
Em um primeiro momento, os preços podem até cair. Contudo, devido à diminuição nos investimentos, haverá redução de oferta e o preço deve se recuperar.
Entenda
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou que, desde 1º de fevereiro, não emite mais CSIs (Certificado Sanitário Internacional) para a venda desse alimento, tipo in natura, à União Européia.
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Com base nas inspeções dos serviços veterinários federal e estaduais, o Brasil havia apresentado à Comissão Européia, na última segunda-feira (28), a lista das fazendas auditadas e consideradas condizentes com as exigências sanitárias. A UE, por sua vez, informou que selecionará 300 fazendas como base para inspeção, já marcada para 25 de fevereiro.
Na última quarta-feira (6), o Governo retrocedeu e admitiu a existência de falhas na primeira lista de fazendas aptas a exportar carne para a Europa. Com isso, foi anunciada a redução da listagem de 2.681 para 600 propriedades, que será submetida à UE na próxima quinta-feira (14).
*Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos (Holanda), Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Grécia, Espanha, Portugal, Finlândia, Suécia, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, República Tcheca e Romênia