Governo e auditores não entram em acordo; greve atrapalhará IR

Além dos problemas com o tira-dúvidas para a declaração, atividade em aeroportos será reduzida para 30% da capacidade

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SÃO PAULO – Após uma hora e meia de reunião com representantes do Governo, auditores da Receita Federal decidiram, na noite da última quarta-feira (12), manter sua posição e cruzar os braços por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira (18).

A partir da semana que vem, portanto, ficará mais difícil para o contribuinte tirar dúvidas a respeito da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2008, ano-base 2007, cuja temporada de entrega foi aberta em 3 de março. O Fisco garante o atendimento àqueles que encontram problemas na prestação de contas. Se os servidores cruzarem os braços, o serviço passará para a responsabilidade das 73 delegacias sindicais que existem no Brasil.

De acordo com o Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal), a idéia só será reavaliada, se o Governo apresentar novas propostas à categoria.

Investigações e aeroportos

Também serão encontrados problemas, segundo o Unafisco, na execução da Enaf 2008 (Estratégia Nacional de Fiscalização), iniciada na última segunda-feira (10). A Receita listou 37 mil pessoas suspeitas de sonegação de imposto. Além de enviarem os informativos de início da investigação – trabalho que pode ser transferido aos Correios -, os auditores recebem as informações e ficam responsáveis pelos procedimentos.

Por fim, são esperados problemas na saída e entrada de pessoas e mercadorias no País. Se a greve for efetivada, o atendimento ao público em aeroportos brasileiros, por exemplo, funcionará no esquema “operação padrão”: apenas 30% do corpo manterá suas atividades.

Exigências

Os profissionais querem reajuste salarial de 38,46%, de R$ 13 mil para R$ 18 mil mensais – equiparando-se, assim, ao valor recebido pelos delegados da Polícia Federal.

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A promessa de aumento veio no ano passado, mas foi deixada de lado, após o Senado barrar a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que, neste ano, renderia R$ 40 bilhões aos cofres públicos.

Segundo a proposta apresentada pelo diretor de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Freitas, em reunião que contou com a presença do secretário da Receita Federal do Brasil, Jorge Rachid, e do secretário-adjunto do órgão, Jânio Castanheira, o aumento sugerido é de 34% para os analistas e 17% para os auditores.