Antes de comprar, 66% das classes CD avaliam poder de pagamento familiar

Com base nessa informação, empresas de análise de crédito podem direcionar de outra forma a liberação de financiamentos

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SÃO PAULO – Quando vai fazer uma compra, 66% das classes C e D avaliam a capacidade de pagamento familiar, em vez da individual. Foi a essa conclusão que a ACSP (Associação Comercial de São Paulo) chegou após análise de diversas pesquisas feitas sobre esse público. Atualmente, os compradores inseridos nessa faixa de renda representam 89,5% da população economicamente ativa.

“Esse é um dado bastante importante para direcionar os modelos de análise de crédito. Assim, procuraremos meios de identificação desses grupos familiares, evoluindo a forma de score para liberação de crédito”, explicou a gerente de Desenvolvimento Técnico da ACSP, Maria Dolores Gil de Oliveira. Os dados completos serão apresentados na próxima terça-feira (15), durante o evento Cards 2008.

Crescimento

Segundo o estudo, a baixa renda, em especial as classes C e D, é a faixa da população mundial que mais cresce. No Brasil, a situação resultou em um crescimento de 28,8%, com um impulso de 6,5% no consumo.

O problema é que essa parte da população tem o orçamento muito “apertado”. Portanto, a probabilidade de haver inadimplência é maior do que da população em geral. “É uma demanda muito reprimida, por isso que todos os players estão de olho nessa faixa de renda”, explicou Maria Dolores.

Avaliação

Essa capacidade maior de “calote”, contudo, será avaliada de uma outra forma. Segundo dados da ACSP, 54% daqueles que estão com o nome inserido no SCPC quitam suas dívidas pendentes em até 30 dias. Apenas aproximadamente 20% ficam sem pagar por mais de cinco anos, quando são automaticamente excluídos da lista.

“Então avaliamos se a pessoa inadimpliu por descontrole financeiro ou por ter caráter duvidoso”, continuou a gerente. Maria Dolores explicou que a idéia é conseguir avaliar não só a capacidade de inadimplência do consumidor, mas também seu histórico de pagamento das dívidas. Essas duas variáveis, em conjunto com a base familiar, pode auxiliar no entendimento das empresas para a concessão de crédito e financiamento.

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Cadastro positivo

A composição dessas informações com o cadastro positivo – lista de bons pagadores – seria ainda mais abrangente. Sua criação ainda está um pouco longe da realidade. Os projetos de lei que tratam sobre o tema ainda não foram apreciados pelos deputados e senadores neste ano. Dois deles, em estágio mais avançado, são o 405, que veio do Senado, e o 836, com origem na Câmara.

O primeiro deles foi proposto em 2007 pelo senador Rodolpho Tourinho (DEM/BA). Ele já foi liberado pelo Senado e aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara. O segundo data de 2003, de autoria do deputado Bernardo Ariston (PMDB-RJ). É a esse texto que PL lançado pelo Governo no pacote de medidas com intenção de reduzir os spreads bancários, de número 5.870/05, está apensado.

“Mesmo quando aprovado, acho que a auto-regulação do cadastro vai demorar um pouco. Creio que haverá uma resistência das próprias empresas do setor, em liberar informações confidenciais sobre sua carteira de clientes”, previu a executiva.