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SÃO PAULO – Durante reunião realizada na segunda (28) e terça-feira (29) em Berna, na Suíça, a ONU (Organização das Nações Unidas) fez um chamado à responsabilidade da comunidade internacional, especialmente dos países ricos, pelos problemas causados pelo aumento no preço de alimentos.
Conforme divulgou a Agência Brasil, a ONU solicitou US$ 1,7 bilhão para distribuir sementes e fornecer apoio técnico aos países de baixa renda, a fim de aumentar, já no ano que vem, a produção de alimentos.
“Há uma questão política do que fazer, de forma estrutural, em relação ao aumento dos preços dos alimentos. Isso é um chamado à comunidade internacional, essa emergência é séria, é grave, tem que ser respondida à altura do desafio”, afirmou o diretor do Centro de Informação da ONU no Brasil, Gian Carlo Somma.
Biocombustíveis
Sobre as declarações do relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, que reforçou ontem a proposta de que a produção de biocombustíveis seja suspensa por cinco anos, como forma de conter a alta dos preços dos alimentos, Somma afirmou que isso se deve principalmente à política de biocombustíveis dos Estados Unidos, que subsidiam a produção de milho para fabricar etanol.
O diretor da ONU esclareceu que essa não é a posição oficial da organização com relação aos biocombustíveis, mas destacou que “há uma preocupação sobre o impacto que a produção deles pode ter sobre a produção de alimentos”.
Para o presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, é uma “distorção absurda” atribuir a crise mundial de alimentos aos biocombustíveis. Em discurso para os formandos do Instituto Rio Branco, Lula voltou a defender que, se os países ricos desejam realmente aumentar a oferta de alimentos no mundo, deveriam eliminar os subsídios que dão aos seus agricultores.
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“A experiência brasileira demonstrou que os biocombustíveis, além de não ameaçar a segurança alimentar, geram emprego e renda no campo e ajudam a combater o aquecimento global”, afirmou.
Parlamentares
De acordo com o senador Neuto de Conto (PMDB-SC), são “injustificáveis” as manifestações internacionais contra a produção de biocombustíveis. O parlamentar, que é presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, acredita que a agroenergia não compete com a segurança alimentar no Brasil.
Neuto de Conto argumentou que o Brasil possui área suficiente para expandir tanto o cultivo agrícola destinado à produção de alimentos como também aquele destinado à geração de etanol. “O País pode explorar, além das terras que já são utilizadas para a agricultura, pelo menos outros 90 milhões de hectares sem que o meio ambiente seja agredido”.
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O senador Gerson Camata (PMDB-ES), por sua vez, repudiou, as declarações de que os biocombustíveis são culpados pela alta dos preços dos alimentos. Camata ainda indicou outros fatores para a disparada dos preços de produtos como trigo, arroz e milho, entre eles a melhoria no padrão de vida na Ásia e na própria América Latina, o que intensifica o consumo; o aumento do preço do barril de petróleo, que duplicou em poucos anos; o conseqüente aumento do custo dos fertilizantes; e a crise imobiliária nos Estados Unidos.
Resolução Pró-biocombustível
Na última segunda (28), o Parlamento do Mercosul aprovou resolução, que será encaminhada aos parlamentos da União Européia e dos Estados Unidos, apontando os subsídios concedidos aos agricultores europeus e norte-americanos como uma das causas da crise na agricultura em todo o planeta.
O documento é uma resposta dos países do bloco às recomendações da ONU para que a produção de biocombustíveis seja suspensa temporariamente em todo o mundo para evitar uma crise na produção de alimentos.
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De acordo com a resolução, a área reservada em todo o mundo para a produção de biocombustíveis representa apenas 0,8% do total de terras cultivadas, sendo que no Brasil, a área ocupada pela cana-de-acúcar representa 4% do total cultivado.