Alta dos alimentos tem mais impacto na baixa renda

De acordo com BC, regiões mais carentes sentem maior impacto da alta dos preços dos alimentos; vice-presidente da CNA diz que análise não deve ser simplista

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SÃO PAULO – De acordo com informação presente no Boletim Regional, divulgado na última sexta-feira (9), pelo Banco Central, a alta do preço dos alimentos impacta com maior força na cesta de consumo da população mais pobre.

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) superou a média nacional de 4,5% em seis das 11 regiões pesquisadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2007. A variação do IPCA ficou entre 3,48% em Curitiba a 7,10% em Belém.

“O peso do item alimentação e bebidas é, em média, maior na cesta das famílias das regiões mais pobres – pois comprometem parcela mais representativa da renda para a compra desses produtos -, mesmo que a variação de preços do grupo se repetisse em todas as capitais do país, exerceria impacto mais expressivo nas regiões mais pobres”, diz o relatório.

Avaliação deve ser em longo prazo

Os alimentos são os itens que, atualmente, mais contribuem para a elevação do IPCA. Entretanto, para Ágide Meneguette, vice-presidente de Finanças da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), ao analisar o comportamento dos preços no longo prazo, nota-se que os produtos alimentícios não são os maiores vilões.

“É preciso uma avaliação de longo prazo e conjuntural para se entender melhor as causas da recente alta de preços e ficar alerta para o perigo de análises simplistas sobre a inflação dos alimentos”, diz Meneguette.