Energia, eletrodomésticos e combustíveis estão freando inflação, diz IBGE

Coordenadora de índices de preços afirma que, enquanto alimentos sobem, essas três categorias apresentam deflação

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SÃO PAULO – A energia elétrica, os combustíveis e os eletrodomésticos estão ajudando a frear a inflação no Brasil. A afirmação é da coordenadora de índices de preços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), Eulina Nunes dos Santos.

Isso porque as três categorias são as únicas que apresentam deflação no ano, entre as nove que compõem o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), taxa oficial de acompanhamento da inflação. “Enquanto os alimentos vêm apresentando uma alta significativa, que já chega a 6,40% neste ano e em 2007 foi de 10,79%, essas três categorias estão apresentando queda e estão equilibrando o índice”.

Eulina cita como responsável pela deflação de 0,11% que a energia elétrica apresenta este ano, o reajuste negativo de 17,1% que a Cemig realizou neste ano e que valerá até abril de 2009. “Minas Gerais é um estado grande, que pesa bastante no IPCA. O fato do preço da energia ter sido reduzido lá ajuda significativamente essa categoria”.

Eletrodomésticos e combustíveis

Já os eletrodomésticos estão apresentando no ano deflação de 0,39%. Para a coordenadora, o dólar baixo e a facilidade do crédito são os grandes responsáveis por esta queda. “Também não podemos esquecer a concorrência. A demanda é grande, tem muita gente comprando eletrodomésticos, mas, para ganhar o consumidor, há muita briga entre fabricantes e varejistas, uma cobre o preço da outra e isso faz com que eles fiquem mais baratos”. A redução nos preços de TV, som e informática já chega a 5,07% em 2008.

Eulina cita ainda a redução dos preços da gasolina, que só neste ano já caíram 1,14%, como outro fator fundamental para conter a inflação. “Apesar da forte pressão do cenário externo e do aumento do petróleo pelo mundo, aqui, esse aumento ainda não impactou. Quando subiu um pouco, o governo reduziu os impostos e manteve o preço baixo”, afirmou, completando que “os combustíveis têm peso de mais de 4% no IPCA, o que não é pouco”.

Perspectivas

Para o próximo semestre, a coordenadora acredita em uma mudança neste cenário. “A Eletropaulo, que cobre outro importante estado brasileiro, que é São Paulo, já anunciou reajuste. Não deve ser um aumento muito significativo, mas pode fazer com que a categoria reduza a queda ou até comece a apresentar aumento”.

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Sobre os preços dos eletrodomésticos, Eulina acredita que a tendência continua sendo de queda. “Os consumidores estão comprando mais do que nunca, com a facilidade do acesso ao crédito, eles não estão com medo de comprar. Como o dólar continua caindo e a demanda crescente tende a estimular ainda mais a concorrência, eu acredito que os preços continuarão baixando.

Para os combustíveis, o cenário é de dúvida. “Não sabemos qual será o jogo de cintura do governo para impedir que o aumento do petróleo no exterior afete aqui. Se ele [governo] tiver capacidade para manter a situação, não há risco de aumento”.

Já para os alimentos, categoria que mais impulsiona a inflação, Eulina acredita em uma inversão. “Eu acredito que pode mudar, sim. Estamos vendo alta das commodities, dos alimentos que usamos no dia-a-dia, como arroz e óleo de soja, mas isso está relacionado ao consumo mundial e à pressão por exportação. Mas temos que ver a continuidade dessa demanda. Eu acredito que podemos, sim, ter uma mudança até o final do ano”, finaliza.