Conteúdo editorial apoiado por

D&O: com crise, mercado de seguro para executivo se contrai

Número de sinistros aumenta consideravelmente, o que deve gerar um encarecimento do tipo de seguro

•

Publicidade

SÃO PAULO – Há cerca de 10 anos, quando muitas privatizações estavam ocorrendo, o seguro D&O (de responsabilidade civil de executivos) passou a ser oferecido no Brasil. Desde então, vinha em franca expansão. Com a crise, porém, a expectativa é de que, assim como o mercado de crédito, o segmento se contraia.

“Na verdade, não é mais difícil de contratar. Mas, assim como o mercado de crédito ficou mais restrito, com a incerteza das instituições financeiras – principalmente os bancos que ficaram mais retraídos -, os critérios do mercado de seguros ficaram mais fortes”, afirmou o executivo de Seguros Financeiros da Chubb, Leandro Martinez.

O que acontece é que a seguradora começa a avaliar melhor as condições da empresa, que normalmente arca com a proteção para seus executivos. Fatores como o setor em que a companhia atual, qual a posição dela no mercado, expectativas para o setor e liquidez passam a ser avaliados com mais intensidade.

Sinistralidade

A contração do mercado se justifica se forem analisados os dados sobre sinistros, a ocorrência do risco previsto no contrato de seguro. Pesquisa realizada pela consultoria norte-americana Advisen revelou que o setor de seguros D&O perderá US$ 5,9 bilhões, por conta da crise financeira global.

Em fevereiro, a mesma consultoria havia feito uma pesquisa e o número estimado era de R$ 3,6 bilhões. De acordo com a consultoria, a revisão na expectativa foi feita porque, dentre outros motivos, houve um aumento nos custos de defesa, por conta de demissões de executivos, de acionistas que atuavam no mercado de derivativos e por prestação de contas para agências reguladoras.

“A sinistralidade aumentou não só na esfera judicial, mas também na administrativa. Órgãos reguladores interpelam porque não entendem o que motivou uma determinada operação e o executivo precisa de um advogado para prestar esse esclarecimento”, afirmou Martinez.

Continua depois da publicidade

Aumento de custos

Conforme disse Martinez, esse aumento de sinistralidade no segmento de seguros de proteção de executivos deve se traduzir em preços maiores no momento da contratação. Esse aumento ainda não pode ser estimado.

Como desdobramento da crise financeira internacional, o gerente de Produtos do Unibanco AIG, João Botelho, aponta o encarecimento do tipo de seguro. “Isso por causa do aumento do número de sinistros”.

O seguro tem como principal objetivo defender financeiramente os executivos em casos de problemas trabalhistas e outros. Por exemplo: se uma pessoa processar um executivo, o seguro cobre as custas da defesa e, tramitado e julgado o processo, ainda cobre o que o executivo teria de pagar, caso perca a causa.