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SÃO PAULO – Finalmente 2008 chegou ao fim. Hora de respirar aliviado? Provavelmente não. Com previsões de continuidade da desaceleração do crescimento global ao menos até meados de 2009, o cenário continua complicado – especialmente para as commodities. Altamente relacionada à atividade econômica, a demanda pelos produtos deve continuar mais fraca no próximo ano, pressionando ainda mais os preços.
“Com a desaceleração do apetite da Índia e da China por commodities, e a demanda industrial mundial em contração, os preços devem permanecer baixos, e podem cair mais no início do novo ano”, prevêem os analistas do BMO (Bank of Montreal). O sentimento geral é de que o colapso na demanda e nos preços das commodities na segunda metade de 2008 não são impactos passageiros da crise do crédito.
Porém, não pode ser descartado o fato de que a queda nos preços internacionais dos metais e do petróleo já levou a cortes na produção de diversas commodities. Dessa forma, o Danske Bank alerta que essa resposta deve começar a estabilizar os preços dos produtos no curto prazo. “Uma trajetória de crescimento muito fraca já está precificada nas commodities”, afirma o banco.
Ainda assim, uma recuperação sustentável no preço dos produtos deve acontecer somente com a melhoria das condições econômicas globais. As previsões apontam para uma recuperação dos EUA a partir da segunda metade de 2009, enquanto os demais mercados internacionais devem retomar o crescimento apenas a partir de 2010.
Projeções para cada classe
| Projeções para o Petróleo | |
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“Preço do petróleo fecha o quarto trimestre deste ano em US$ 60 e se mantém constante durante o ano de 2009 em US$ 65” – Ativa Corretora, em relatório “Projeções assumem que o preço do petróleo WTI por barril se elevará do atual patamar para US$ 70 no fim de 2009 e US$ 80 no fim de 2010” – Credit Suisse, em relatório. “Com o colapso do crescimento da economia global e da demanda devido à crise do crédito, o preço do barril de petróleo deve ter uma média de US$ 45 no próximo ano” – Goldman Sachs, em relatório. |
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Petróleo – com a queda da demanda e a desaceleração global ofuscando até mesmo os cortes na produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), as estimativas dos analistas para o preço do petróleo em 2009 são de queda, variando entre US$ 45 e US$ 70 por barril. De acordo com o Goldman Sachs, a demanda por petróleo deve cair 1,7 milhão de barris por dia em 2009, sendo que o equilíbrio do mercado da commodity depende de um corte adicional de 2 milhões de barris por dia pela Opep e 600 mil barris por dia para países que não fazem parte da organização.
Metais – uma recuperação sustentável dos preços dos metais industriais só deve ser vista após a melhora do cenário econômico global. As previsões do Goldman Sachs apontam para preços de US$ 1.410 e US$ 2.950 por tonelada de alumínio e cobre, respectivamente. Por outro lado, a procura por segurança em meio à crise financeira global, somada ao enfraquecimento do dólar, devem impulsionar o preço dos metais preciosos, principalmente do ouro.
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Agrícolas – apesar da perspectiva de menor crescimento mundial e da desalavancagem dos fundos que atuavam no mercado futuro destas commodities, o Goldman Sachs prevê um menor risco de declínio para os preços dos grãos e um potencial de recuperação moderada em 2009. Segundo o banco, o PIB (Produto Interno Bruto) global teria que ser negativo no próximo ano para haver uma queda real na demanda.
No Brasil…
Não é surpresa que a queda da demanda por commodities irá impactar a economia brasileira, principalmente considerando que os produtos respondem por cerca de 60% das exportações do país, com destaque para petróleo e derivados, minério, soja e produtos siderúrgicos, que contam por 40% das exportações.
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“Na agricultura, um quadro de maior restrição ao crédito e menores preços das commodities concorrerão para reduzir o crescimento do PIB em 2009”, alerta a Spinelli Corretora. Somado aos impactos diretos, há também os indiretos. Segundo a Merrill Lynch, reflexos negativos também devem ser sentidos nas contas fiscais, já que a Petrobras conta por aproximadamente 15% do superávit primário do Governo brasileiro.
Por outro lado, a redução dos preços das commodities teria um impacto positivo na inflação devido à desaceleração dos preços dos alimentos e queda no valor dos combustíveis, de acordo com o Credit Suisse.
Relação do Ibovespa com commodities
“O crescimento anualizado de lucro líquido no período entre 2008 e 2010 foi calculado em 6,1% para o Ibovespa commodity e 11,7% para o não-commodity, mostrando claramente o impacto da queda dos preços das commodities em dólar sobre o desempenho desse grupo de empresas”, indica a Ativa Corretora.
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Conforme a avaliação dos analistas, a diferenciação do Ibovespa em commodity e não-commodity também mostra resultados diversos em relação ao EV/Ebitda (múltiplo que mede a relação entre valor da empresa e geração operacional de caixa) estimado para 2009. No primeiro caso a relação seria de 5,1 vezes, enquanto no segundo seria de 10,8 vezes.