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SÃO PAULO – De acordo com os analistas do Bank of America, a redução dos preços dos combustíveis não deverá impactar significativamente o setor de transportes, mais especificamente a ALL (ALLL11). Porém, acreditam que a decisão pode pesar sobre as ações da companhia no curto prazo.
A Petrobras anunciou o corte de 15% no preço do diesel para as refinarias, o que deve representar um reajuste de 9,6% no preço final, uma vez que o governo anunciou também o aumento da CIDE, para compensar a perda na arrecadação.
Segundo o banco, a medida já havia sido antecipada pelo mercado, e o modelo de análise da ALL já incorporava uma redução de 12% no valor do combustível, sem nenhum beneficio marginal para os transportadores, no sentido do repasse dessa revisão.
Impacto no curto prazo
É esperado que a decisão pese sobre os papéis da companhia no curto prazo devido a sua valorização recente, que atingiu cerca de 7% somente neste mês, e que superou o desempenho do Ibovespa em aproximadamente 8%, afirmam os analistas.
O modelo de negócios da ALL é baseado nos contratos take-or-pay, que representam 65% de sua receita. Assim sendo, o reajuste no preço dos combustíveis deverá reduzir as vendas consolidadas da empresa em 2,5%, com impacto também em seus custos, reduzindo-os em 3%.
No mesmo sentido, não é esperada uma queda muito grande em suas taxas, uma vez que a indústria de transportes tem operado com margem de caixa muito próxima a zero, podendo o segmento, com a nova revisão, aproveitar para recuperar alguma margem. Considerando esses fatores, o impacto na margem bruta (medida de rentabilidade das vendas, pela diferença entre o preço de venda e os custos envolvidos) da ALL deverá ser limitado a 40 pontos-base, conclui o BofA.