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SÃO PAULO – Em meio à piora das expectativas para o crescimento global por conta do surto de coronavírus, o Ministério da Economia reduziu a projeção oficial para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020 de 2,40% para 2,10%.
A nova estimativa foi divulgada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quarta-feira (11), através do Boletim MacroFiscal.
De acordo com o documento, na passagem de 2019 para 2020, a economia brasileira tem mostrado sinais de continuidade do processo de recuperação do crescimento. Contudo, há cautela decorrente das incertezas do ambiente internacional e as consequentes revisões do crescimento dos países desenvolvidos e emergentes.
“Estamos monitorando de perto os desdobramentos do Covid-19 [coronavírus] e a recente queda no preço do petróleo e reafirmamos que a melhor resposta ao novo cenário é perseverar com as reformas fiscais e estruturais”, diz o documento. Para 2021, a projeção do PIB ficou em 2,5%.
Apesar da redução, a previsão para o PIB apresentada pelo governo é mais alta do que o esperado pelo mercado. O boletim Focus divulgado na segunda-feira pelo Banco Central mostrou que as instituições financeiras esperam um crescimento de 1,99% para este ano.
A projeção para IPCA 2020 caiu de 3,62% para 3,12%, enquanto a estimativa para 2021 é de avanço de 3,75%
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O boletim destacou que os impactos econômicos do coronavírus, “tomando como base o crescimento de 2,4% para 2020 projetado em janeiro”, são os seguintes: i) Cenário Otimista: -0,1 ponto percentual; ii) Cenário Provável: -0,3 p.p. e iii) Cenário Pessimista: -0,5 p.p.
Além disso, o Ministério da Economia destacou que o surto do coronavírus poderá representar “diversos choques negativos sobre a atividade econômica global”, como choque de produtividade, choque de demanda resultante na queda de PIB mundial, choque nos preços de commodities e choques nas condições financeiras, limitando o crédito.
Por fim, o documento também analisa a recente queda nos preços do petróleo, afirmando que este movimento pode ser “interpretado como um choque positivo na oferta, diante da redução do custo dos insumos de produção”.
Por outro, o Ministério diz que “há empresas muito alavancadas que poderão ter dificuldades creditícias à frente, caso o preço do petróleo permaneça no patamar atual”.
“No momento atual, esse efeito de segunda ordem e seus desdobramentos tem se sobreposto aos efeitos positivos e são responsáveis por elevar as preocupações dos investidores globais”, diz o documento.
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