Supermercados e produtores negam responsabilidade pelos aumentos do leite

Em audiência pública realizada na Câmara, representantes dos setores divergem sobre os motivos das elevações sucessivas

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SÃO PAULO – Produtores e representantes do setor de supermercados negam a responsabilidade pelos aumentos sucessivos do preço do leite. Em audiência pública realizada na terça-feira (11) pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, foram discutidas as elevações desde quando o alimento é produzido até chegar ao consumidor.

Somente no acumulado entre janeiro e julho deste ano, o produto encareceu, em média, 34%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Dependendo da região, o aumento pode ser mais ou menos intenso. No Rio de Janeiro, por exemplo, o preço da bebida no acumulado do ano acumula inflação de 58,73%. Em Fortaleza, por outro lado, o produto ficou 8,06% mais caro, no mesmo período.

Segundo o representante da indústria de laticínios, Alexandre Marques, o leite foi o que menos subiu de preço na indústria, desde 1994. Ele ainda ressaltou que a margem de lucro do segmento não ultrapassa os 4%. O presidente da Abras (Associação Brasileira dos Supermercados), Sussumu Honda, por sua vez, não considerou que o setor seja responsável pelos aumentos, já que os lucros com o item não ultrapassam os 15%.

Produtores e Supermercadistas

“Quando ocorrem os picos nos preços do leite longa vida na gôndola do supermercado, os produtores nunca participam disso”, afirmou durante a audiência o presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da CNA (Confederação Nacional de Agricultura), Ronaldo Sant’ana Alvim.

Segundo ele, o preço pago aos produtores corresponde a 1,9% do valor repassado aos consumidores, podendo chegar a 2,2%. “Ou seja, o preço que a indústria está vendendo para o atacado é em torno de duas vezes mais do que o valor pago pela matéria-prima ao produtor”, afirmou Alvim, de acordo com a Agência Brasil.

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Segundo ele, a alta nos preços do alimento é de responsabilidade da indústria de processamento, do monopólio da fabricação das embalagens e também dos supermercados. Honda também afirmou que as embalagens encarecem o preço do leite. Segundo ele, se o custo da embalagem fosse menor, o item poderia ser mais barato.

Honda rebateu as acusações de Alvim. “Não podemos partir de pesquisas feitas a partir da alta dos preços e estabelecer margens”, afirmou o presidente da Abras. “Isso é errado, não tem metodologia para isso”. Ele reforçou ainda que, apesar dos aumentos, o consumidor já pode encontrar o item por R$ 1,5 e que os preços tendem a cair. “O consumidor já vai sentir isso neste mês e ainda em setembro”.

Investigação

Durante o encontro, a Comissão não descarta recorrer ao Ministério Público Federal para investigar a formação do preço do leite.

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“Temos que cobrar isso junto aos órgãos de defesa do consumidor, ao próprio Ministério Público Federal ou até mesmo pedir uma investigação do Ministério da Fazenda”, afirmou o deputado Vitor Penido (DEM-MG), de acordo com a Agência Câmara.

O deputado informou que pedirá planilhas dos supermercados para averiguar os argumentos lançados pelos representantes do setor. A Abras, segundo a Agência Brasil, já se disponibilizou em fornecer as informações.