Publicidade
SÃO PAULO – Com o aumento da massa salarial e a migração de muitos cidadãos das classes D e E para a classe C, as viagens passaram a integrar a cesta de compras dos brasileiros. Prova disso é que a operadora de viagens CVC estima embarcar 2,5 milhões de passageiros até o final de 2010. Uma elevação significativa, se considerarmos que, em 2009, 2 milhões de brasileiros viajaram por meio da operadora.
“É uma meta ambiciosa, mas possível. E temos certeza de que grande parte desses novos turistas virá da classe C. O brasileiro já descobriu o quanto é bom viajar, tanto que, atualmente, ele não espera sobrar dinheiro para viajar, já inclui a viagem em seu orçamento regular”, afirma o diretor-presidente da operadora CVC, Valter Patriani.
Durante a abertura do 16o Workshop CVC, Walter falou sobre o perfil desse novo consumidor dos pacotes de viagem. “A classe C quer viajar de navio e avião. E muito se engana quem acredita que eles aceitam qualquer coisa. É um público exigente, que quer um hotel bom, com praia perto e que adora o sistema all inclusive – tudo incluído no preço. Ele não quer ficar pensando quanto custa uma bebida. Prefere pagar o pacote com tudo incluso e dividir em 10 vezes sem juros”.
10 vezes
O presidente conta ainda que, embora muitos acreditem que a população de classe C viajaria mais, se o prazo de financiamento fosse maior, isso não é verdade.
“Já trabalhamos com pacotes que poderiam ser pagos em 24 ou 36 meses, mas esses pacotes não foram vendidos e a explicação é simples. O trabalhador tira férias uma vez por ano e é nessa época em que ele viaja. Então o que ele faz? Ele contrata o pacote em 10 vezes sem entrada, usa o abono das férias para pagar os gastos que terá na viagem e começa a pagar o pacote no primeiro mês após a sua volta. Como são 10 parcelas, a última fica para um mês antes do novo período de férias, o que permite com que ele viaje novamente”.
Preços
Sobre a recente aquisição da CVC pelo fundo de private equity americano Carlyle, o presidente afirma que o turista não sentirá mudanças na hora de viajar e afirmou que os preços dos pacotes não irá aumentar. Ao contrário, podem cair até 5%.
Continua depois da publicidade
“Estamos aumentando a demanda. Estamos com um poder de barganha maior. Em 2010 vamos aumentar o número de aeronaves fretadas e teremos mais navios para os nossos cruzeiros. Com isso, temos condição de oferecer um preço menor. Sei que algumas aéreas já estão falando sobre aumento das passagens, mas garanto que não há pressão para elevação dos nossos pacotes”.
Ainda com relação aos preços, Walter destacou que o bom momento da economia local ajuda a operadora a conseguir cumprir a promessa de não aumentá-los. “Nossa economia é forte e a moeda estável. Mesmo com o dólar oscilando, e pagamos muita coisa em dólar, a oscilação é pouca e permite que eu defina agora no mês de fevereiro o preço dos pacotes para o Réveillon. Antigamente não era assim. Era comum um casal que ia casar em setembro ir a agência em abril para fechar a lua-de-mel e a gente não ter o preço definido. Agora é diferente, o que permite que o brasileiro planeje seus gastos com viagem e os inclua no orçamento doméstico”, finaliza.