Publicidade
SÃO PAULO – O real deixou de ser a única moeda usada em algumas comunidades brasileiras. Nestes locais, que somam 51 em todo o Brasil, a população utiliza ‘moedas sociais’ em complemento à oficial e implementadas pelos bancos da comunidade.
“A ideia é trazer de volta a dimensão de que a moeda é meio de troca. É recuperar isso”, afirmou a pesquisadora do Núcleo de Economia Solidária da USP (Universidade de São Paulo), Juliana Oliveira Barros Braz.
Normalmente, esses bancos chegam às comunidades por iniciativa externa. Eles fazem empréstimos produtivos e para consumo – muitas vezes sem a cobrança de juros, apenas para adiantamento de valores – e ainda implementam a moeda social, lastreada no real.
Continua depois da publicidade
Conforme explicou Juliana, as moedas sociais são confeccionadas em gráfica e contam com itens de segurança, para que não sejam falsificadas. Como a população recebe seu salário em real, é preciso ir ao banco para fazer a troca pela moeda da comunidade.
A vantagem
Como a moeda só pode ser utilizada na comunidade, ela acaba por desenvolver aquela localidade, ao contrário do que aconteceria se a população recebesse em real e não fizesse a troca para a moeda social.
“A moeda social não circula em outro lugar”, explicou Juliana, que citou o exemplo de uma comunidade em Fortaleza que tinha problemas em desenvolvimento, mas não por falta de riqueza de sua população. “A poupança não ficava no bairro”, declarou.
Mas a vantagem de se usar essa moeda social é que normalmente os comerciantes promovem descontos. O valor dos produtos continua a ser dado em real, porém, quem pagar com a moeda social pode arcar com um valor 7% mais baixo.
A ideia é incentivar o consumo no local, uma vez que, se saísse para comprar em outro bairro, a pessoa pagaria mais caro.
Clubes de troca
Além dos bancos comunitários, as moedas sociais são usadas no que ficou chamado como clube de troca. Ele funciona como um encontro de pessoas da comunidade, que se reúnem para trocar objetos de desejo. Para facilitar o processo, cria-se uma moeda de troca.
Continua depois da publicidade
Neste caso, não existe um valor fixo para as mercadorias e há possibilidade maior de negociação dos valores. “Essa é uma estratégia que a própria comunidade pode organizar a partir da necessidade. A moeda não circula em outro local e há facilidade de troca”.
Educação financeira
O uso da moeda social, por si só, não promove a educação financeira, mas muitas vezes sua implementação vem acompanhada de uma estratégia para o uso do dinheiro, o que acaba por fazer com que a comunidade saiba como lidar melhor com ele.
“O uso não promove a educação financeira, mas ter uma moeda social incentiva a população a compreender melhor a economia. Ao longo do tempo, cria-se um espaço de debate”.