Para Barclays, volatilidade deve continuar presente nos mercados de commodities

Segundo analistas, ciclo de aperto monetário nos países emergentes e crise de débitos soberanos na Europa serão principais drivers

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SÃO PAULO – “Depois de um longo período de relativa calma, a volatilidade finalmente retornou aos mercados de commodities”. A frase, do Barclays Capital, dá corpo ao relatório divulgado pelo banco, no qual os analistas destacam que os preços deverão continuar mostrando oscilações nos próximos meses.

Segundo os analistas Suki Cooper, Roxana Molina, Kevin Norrish, Amrita Sen e Quitterie Valette, contudo, “nos últimos meses houve uma notável divergência entre o sentimento pessimista que afetou os mercados financeiros e o persistente fluxo de indicadores acima do esperado”. Eles destacam que esta divergência afetou todos os ativos de risco e tem sido particularmente intensa em alguns mercados de commodities.

De acordo com a equipe de análise do banco, muito deste movimento deve-se à crise fiscal na Europa e às preocupações em relação ao aperto monetário nos países emergentes. “Olhando à frente, os mercados devem permanecer guiados por um elevado nível de aversão ao risco e incertezas que caracterizaram recuperações anteriores. (..) Embora acreditamos que haverá o início de novas tendências de alta nos preços de certas commodities onde a oferta está restrita (petróleo bruto e alguns metais industriais, especialmente cobre), o mais provável é que os preços terão oscilações, como acabamos de ver”, disseram os analistas.

Outro fator que deve contribuir para o período de instabilidade nos preços das commodities, segundo o Barclays, é o temor de que a bolha no mercado imobiliário chinês esteja prestes a estourar, o que traria consequências drásticas para a economia chinesa como um todo, e, por sua vez, levaria a uma contração intensa na demanda por commodities relacionadas à construção, como metais industriais.

“Acreditamos que os riscos do superaquecimento do mercado imobiliário chinês têm que ser colocados sob perspectiva. A ameaça a economia como um todo é provavelmente mínima, já que a proporção de investimentos em propriedade privada é pequena, e os bancos têm exposição limitada ao setor”, explicam. 

Commodities energéticas e metais
Para os analistas do Barclays, o petróleo continua aparecendo como aquele com a tendência mais positiva de fundamentos entre as commodities energéticas. Contudo os analistas ressaltam que a oferta do produto continua crescendo modestamente, devido, entre outras coisas, à “deteriorada situação no Iraque”.

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Entre os metais, os analistas destacam que as dúvidas com relação aos débitos soberanos na Europa influenciaram duas tendências: adicionaram um prêmio aos preços do ouro e da prata, mas puxaram as cotações dos metais industriais “a níveis abaixo daqueles justificáveis por fundamentos”.

Commodities agrícolas
No segmento agrícola, os analistas frisam que os mercados de grãos se mantém sob pressão, entre outras coisas,  por conta das projeções de produção recorde e da aceleração do ritmo de produção no mercado norte-americano. “Condições climáticas serão essenciais para conduzir a direção dos preços dos grãos. (…) Entre os grãos, continuamos a favor do milho, que deverá ser o principal beneficiário da elevada demanda chinesa e das potenciais importações maiores”, completaram os analistas.


Editor de Minhas Finanças do InfoMoney, cobre temas como consumo, tecnologia, negócios e investimentos.