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SÃO PAULO – De acordo com os índices semanais publicados pela empresa finlandesa Foex, que são utilizados como referência pelos investidores, os preços da celulose de fibras longa e curta mostraram contração na semana passada, ampliando as perdas das semanas anteriores. Avaliando o novo cenário para o setor, o mercado já previa uma tendência de baixa nos preços.
| Tonelada de celuose | Semana até 17/08/2010 | Semana até 10/08/2010 | Variação |
| Fibra longa (Foex NBSK) | US$ 975,63 | US$ 977,49 | -0,19% |
| Fibra curta (Foex BHKP) | US$ 874,52 | US$ 887,77 | -1,49% |
A equipe da consultoria destacou que a demanda por celulose nos Estados Unidos se manteve em um nível “bom” ao longo da última semana, porém, a menor procura chinesa pela commodity e a reabertura de fábricas na cena norte-americana trouxeram ainda mais pressão aos preços da matéria-prima na região. Nesse sentido, a Foex destacou que novas reduções nos preços cobrados pelas produtoras já foram anunciados para este mês.
No segmento de fibra longa europeu, por sua vez, a consultoria lembrou que as produtoras da commodity ainda não anunciaram redução nos preços para este tipo de mercado na Europa. Segundo a Foex, os estoques da região continuam baixos, apesar da retomada da oferta de celulose. Os consultores lembraram, por fim, que o reinício de produção na fábrica Mackenzie deverá adicionar 235 mil toneladas de celulose de fibra longa anuais à capacidade produtiva europeia, além de outras 400 mil toneladas da produtora Terrace Bay que podem ser retomadas.
Já no mercado chinês de celulose de fibra curta, a consultoria avalia que a demanda segue fraca para papéis de impressão, ao contrário da procura por lenços e papéis de pacotes. Outro ponto destacado pela Foex é a perspectiva dos compradores chineses de celulose de fibra curta, que não querem fazer negócios com as produtoras internacionais nos atuais preços cobrados pela commodity.
Tendência de baixa não deve durar muito
O analista Leonardo Alves, da Link Investimentos, avaliou o desempenho das cotações: “os preços da celulose de fibra curta estão cada vez mais próximos de US$ 870,00 por tonelada, novo preço após o anúncio de redução de US$ 50,00 por tonelada. Continuamos acreditando que essas reduções nos preços não devam ser permanentes e que não devemos observar novas quedas, visto que a expectativa de aumento da oferta de celulose para os próximos anos continua baixa e a demanda de celulose deverá continuar elevada”, disse.
Alves destacou que, mesmo em queda, os novos patamares dos preços da celulose não chegam a preocupar. “Continuamos acreditando que o preço da celulose de fibra curta não deve ficar abaixo de US$ 800,00 por tonelada, um patamar bastante positivo para as empresas de baixo custo, que é o caso das brasileiras”, afirmou o analista.
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A corretora manteve seu rating outperform (desempenho acima da média do mercado) para os papéis da Suzano (SUZB5) – a top pick da corretora no setor -, bem como a recomendação market perform (desempenho em linha com o mercado) para Fibria (FIBR3) e Klabin (KLBN4).
Impacto negativo sobre as ações apenas no curto prazo
Segundo apurou a InfoMoney recentemente, a perspectiva dos analistas de mercado, em geral, é de que a atual tendência de baixa nos preços da celulose deve persistir no curto prazo, trazendo um período instável aos papéis das produtoras brasileiras da commodity, mas não deve ser um problema para o futuro. Na ótica de analistas, em geral, os preços internacionais da matéria-prima devem seguir em patamares fortes pelo menos até 2011.
Na visão do analista da Concórdia, Leonardo Zanfelicio, as quedas recentes auferidas no preço da celulose são um ajuste da forte alta que a commodity apresentou ao longo do final de 2009 e início deste ano. Em linha, o analista da Planner, Victor de Figueiredo, destacou que este movimento possui um horizonte limitado.
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“Eu não acredito que se inicie um novo ciclo de baixa. É possível ainda mais uma redução na faixa dos US$ 50,00 a US$ 100,00 por tonelada, mas mesmo nesses níveis os preços ainda continuam muito remuneradores”, destacou Figueiredo. “Um crescimento menor em alguns índices pode se traduzir em alguma volatilidade, que é o que estamos vendo nos últimos dias, mas não é nada que possa afetar o bom momento que o setor vem presenciando”, completou.