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SÃO PAULO – Os preços dos alimentos devem registrar neste mês o maior aumento do ano, de 1,73%, conforme previsões da LCA Consultoria. O percentual é um pouco maior que o da Tendências Consultoria, que prevê um aumento de 1,40%.
Para o economista da LCA Fábio Romão, embora altos, os percentuais de elevação dos preços do grupo que mais impacta a inflação geral não são tão fortes quanto os registrados em anos anteriores. “Todo ano temos uma aceleração do preço dos alimentos”, afirma. O diferencial neste período, explica Romão, são os problemas de oferta que afetaram alguns produtos, impactando em um aumento geral.
“Temos a questão da oferta de carne bovina, principlamente, e dos aumentos do feijão”, completa o economista da Tendências Consultoria, Gian Barbosa. “De maneira geral, há um aumento dos produtos no mercado internacional”, analisa Barbosa. O feijão, a carne e os derivados de trigo são os itens que mais devem influenciar nas elevações de outubro.
“Os derivados de trigo sofrem um problema de oferta global gerado pelas secas da Rússia e da Urcrânia”, explica Romão. A oferta de carne bovina sofre com problema semelhante, a estiagem que afeta os pastos. “Esse conjunto de fatores deve fazer com que os preços dos alimentos registre a maior alta do ano”.
Diante desse cenário, os analistas esperam uma alta dos alimentos acima da inflação geral nos próximos meses, como mostra a tabela abaixo.
| Variações dos preços de alimentos * | ||||
|---|---|---|---|---|
| Índice | Outubro | Novembro | Dezembro | 2010 |
| Alimentos | 1,73% | 0,93% | 0,54% | 8% |
| IPCA | 0,64% | 0,48% | 0,43% | 5,2% |
| Fonte: LCA Consultoria / * Previsões | ||||
Ano é de alta
Os alimentos devem registrar aumentos acima da inflação também no acumulado do ano. As previsões da LCA são de que a alta dos preços dos alimentos fique em 8% e o da inflação geral, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), registre 5,2% em 2010. “O fato de esse grupo registrar altas acima da inflação geral não é novidade”, alerta Romão.
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Olhando para trás, os dados mostram que, em 2007, o grupo Alimentos registrou alta de 10,8% e o índice geral ficou em 4,5%. No ano seguinte, enquanto o IPCA ficou em 5,9%, o grupo alimentos apresentou alta de 11,1%. Já em 2009, os preços ao longo do ano e fizeram com que índice dos alimentos ficasse 3,18%, com o IPCA em 4,31%.
Para o economista da LCA, os aumentos que devem ser registrados nos próximos meses não são tão preocupantes como os registrados no início do ano. “Se analisarmos o primeiro quadrimestre com o último, veremos que no início do ano a situação era mais preocupante”, afirma.
Barbosa, da Tendências, acredita que os aumentos são sazonais e o fator clima foi o que mais impactou na variação dos preços, tanto agora como no início do ano. “O início do ano foi uma surpresa. O regime de chuvas intensas fez os alimentos contribuírem bastante para a inflação geral. Agora, a ausência das chuvas e a estiagem também elevam os preços”.
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2011
Para 2011, as previsões da LCA são de que os preços dos alimentos continuem registrando altas, porém, mais brandas que as apresentadas hoje. No próximo ano, os preços dos alimentos devem apresentar aumento de 5,60%, contra uma elevação de 4,7% do IPCA.