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SÃO PAULO – Com a proximidade do final do ano, o balanço geral da economia mundial parece ter sido positivo, pelo menos na visão da LCA Consultoria. Segundo ela, apesar da crise da dívida verificada em algumas nações da zona do euro, as principais economias avançadas, como Estados Unidos e Alemanha, mostraram retomada do crescimento. No lado dos emergentes, o ano foi marcado por um crescimento robusto e em expansão.
Assim, os desafios para manter um crescimento equilibrado no próximo ano são distintos para países desenvolvidos e emergentes: enquanto os primeiros devem focar na manutenção do ritmo de expansão moderado para superar os efeitos da crise, os últimos tendem a apresentar alguma desaceleração para dosar o crescimento, ajudando a conter as pressões inflacionárias e o preço elevado das commodities.
Emergentes: dosando o crescimento
O desafio da maioria das economias asiáticas e latino-americanas é dosar o crescimento, com uma possível desaceleração. O consumo das famílias segue elevado, as taxas de desemprego recuaram para níveis recordes de baixa, a vulnerabilidade externa que tanto onerou esses países em décadas passadas parece ter sido superada, bem como o desarranjo fiscal.
Dessa forma, as economias emergentes vivem uma situação de pressão inflacionária que precisa ser contida. Além disso, os preços das commodities no mercado internacional seguem extremamente altos, devido a dois fatores: um movimento especulativo que combina a forte liquidez global com a opção de manter as commodities como alternativa para os investimentos e às adversidades climáticas, que prejudicam a oferta de muitos produtos ou aumentam a demanda de outros, empurrando os preços para cima.
Para equilibrar a situação, ” os países emergentes terão de continuar a adotar medidas para contrabalançar os impactos da abundante liquidez global e dosar o crescimento, a fim de evitar bolhas especulativas e manter a inflação sob controle”, segundo a corretora.
EUA e a “locomotiva” alemã
A LCA acredita que os riscos de que a recuperação não seja atingida estão cada vez mais distantes. Nos EUA, os dados mostram a recuperação da economia, ainda que em ritmo lento. O consumo das famílias tem crescido a taxas regulares, o mercado de trabalho começou a dar sinais de recuperação e os níveis de endividamento pessoal também registraram queda. Além disso, no cenário corporativo, há uma tendência de margens de lucro em ascensão e recuperação patrimonial.
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Já a economia alemã segue forte e juntamente com o crescimento – em menor grau – de outras nações europeias, como Reino Unido e França, o fraco desempenho de economias periféricas assoladas pela dívida e pelos problemas fiscais e financeiros, como Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, pode ser parcialmente compensado.
A “locomotiva” alemã segue em expansão, impulsionada pelo desempenho do setor externo, com o aquecimento da demanda dos emergentes por bens de capital e insumos industrializados. O índice de confiança do empresariado no país alcançou o patamar mais elevado da história – em quase 20 anos – em dezembro.
As economias avançadas precisam “consolidar o crescimento em meio a iniciativas de rearranjo fiscal”. De acordo com a corretora, os EUA devem liderar o crescimento entre essas nações, com taxa de expansão relativamente menor à estimação de seu crescimento potencial.
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Como será o ano para o Brasil?
Após trimestres promissores, a LCA estima um crescimento no 4º trimestre de 2010 de 1,1% sobre o período anterior, com ajuste sazonal. De fato, o mês de dezembro configura-se como um mês de atividade forte, num nível descolado dentre as comparações do ano, porém, na visão da corretora, esse fato é explicado por um consumo maior, impulsionado pelas promoções de muitas concessionárias antes de colocarem em práticas as medidas de contenção de crédito estabelecidas pelo Banco Central.
Segundo a equipe de análise, as condições de crédito para Pessoa Física entraram em uma tendência de deteriorização a partir de outubro de 2008, antes do episódio com o banco Panamericano e das medidas macroprudenciais, reiterando que a transmissão de políticas monetárias para o crédito no País é defasada em aproximadamente nove meses. Além disso, apesar do mercado de trabalho – que também é defasado no ciclo econômico – seguir aquecido, a intenção dos consumidores em poupar é cada vez menor, devido ao alto grau de endividamento ao final de 2009 e durante 2010.
Projeções
Para 2011, a LCA estima uma desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, que deve atingir 4,3%,diante da necessida de um crescimento mais moderado e políticas fiscais e monetárias mais cautelosas. A taxa de câmbio deverá atingir R$ 1,72/US$ no próximo ano.
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Segundo a corretora, o hiato do produto deverá caminhar para a “zona da neutralidade” e não deve gerar alívios e nem pressões sobre a inflação. A previsão é de uma Selic meta de 11,5% em 2011, com manutenção das medidas macroprudenciais adotadas pelo BC. O crescimento real do gasto primário do governo central deverá ser de 7% no próximo ano e os empréstimos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) devem ficar estabilizados.
Ainda na visão da corretora, o IPCA deverá atingir alta de 4,7% em 2011, contra 5,9% em 2010, refletindo a descompressão do grupo de Alimentação e bebidas, que deverá passar de alta de 10,6% em 2010 para 5,6% em 2011.
Por fim, a avaliação da equipe de análise é que o ajuste na Selic deve ser modesto: duas altas de 50 pontos-base nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) de março e abril.
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Ainda assim, a decisão do comunicado do Copom , divulgado em ata, na última quinta-feira (16), deixa em aberto outras possibilidades, como uma possível elevação já em janeiro ou manutenção da taxa inalterada – o que pressupõe desaceleração “tempestiva” da inflação corrente e das expectativas inflacionárias, além de sinalizações de uma política fiscal menos expansionista no próximo governo.