Com queda exagerada, Barclays indica ponto de entrada em ações da MMX

Analistas rechaçam os temores quanto ao elevado capex, ao risco da revisão regulatória e de competição portuária

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SÃO PAULO – Um ponto de entrada interessante surgiu para os papéis da MMX (MMXM3), é o que apontam os analistas Leonardo Correa e Renato Antunes, da equipe de equity research do Barclays. 

Com a recomendação de overweight – desempenho acima do mercado – para os papéis da companhia e potencial teórico de valorização 76,09%, os analistas indicam que os investidores têm exagerado no movimento de queda das ações – pressionadas por preocupações quanto ao capex, riscos regulatórios, e competições portuárias -, e que estas devem se recuperar nos próximos meses.

A empresa possui riscos de execução, mas, para aqueles que procuram um posicionamento conservador, os analistas ressaltam que, se eliminássemos os projetos de Bom Suceso e do Chile, o valor justo estimado para as ações da MMX seria entre R$ 9 e R$ 10, faixa que compreende o valor do último fechamento (R$ 9,36).

Além disso, as ações não refletem um prêmio por potenciais movimentos de aquisições. “Embora nós saibamos que a probabilidade de uma potencial aquisição da MMX é relativamente baixa no curto prazo, nós discordamos dos investidores que desconsideram essa opção”, apontam.

A companhia seria atrativa como uma candidata à aquisições devido aos projetos de escala, logística integrada entre minas, ferrovias e portos e pelo histórico de desenvolver e vender projetos.

Serra Azul e Sepetiba
Já com relação aos investimentos, os analistas mostram-se otimistas. “Nós reiteramos nossa visão de que os altos números do plano de investimentos não devem desviar a tese de consolidação da MMX na região de Serra Azul”, escrevem em relatório, indicando que existem múltiplos meios de estruturar negociações na região.

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Além disso, o projeto portuário da Baía de Sepetiba também tem sido motivo de preocupação dos investidores. No entanto, baseado em conversações com a companhia, a Usiminas (USIM3, USIM5) já assinou um memorando de entendimento com a Docas, e está altamente inclinada em proceder com uma oferta para o Terminal do Meio, informam Correa e Antunes.

O desenvolvimento do porto pode ser visto como uma solução alternativa para outras empresas voltadas para o minério de ferro, mas os responsáveis pelo relatório ponderam a situação pelo fato de que existem riscos de execução consideráveis neste projeto.

Revisão da regulação
Também pesa sobre os papéis da MMX a revisão da regulação para a indústria mineradora. Os analistas apontam que altos royalties podem ser compensados por impostos menores, e que a possibilidade de se restringir o investimento estrangeiro na indústria local é remota e as reações, exageradas.

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Preços elevados
Além do mais, o preços do minério de ferro deverá continuar elevado por pelo menos mais três anos, apostam, pressionados pelo fornecimento. Para o longo prazo, espera-se uma correção dos preços, com o retorno de fornecimentos maiores e a queda na intensidade do aço chinês.

Por fim, há também o risco de que os preços se estabilizem neste patamar elevado. “Recentes atividades de fusões e aquisições na indústria de minério de ferro sugerem que os players estão esperando por preços substancialmente altos”, aponta.

Correa e Antunes indicam que, se a indústria estiver correta nas projeções de longo prazo para o preço do minério de ferro em torno de US$ 100 por tonelada, as empresas do universo de cobertura do Barclays estão altamente descontadas, revelam.