“A inflação de alimentos existe” e deve continuar, diz presidente da BR Foods

José Fay não espera contenção dos preços em 2011, mas vê condições para que empresa repasse aumento dos custos

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SÃO PAULO – Com a aceleração da economia global no segundo semestre de 2010 e claros sinais de demanda forte, a inflação de custos forçou a alta dos preços dos produtos vendidos pela BR Foods (BRFS3), segundo Leopoldo Saboya, diretor financeiro da companhia. 

Esses efeitos, segundo Saboya, foram contornados com gestão muito adequada “não só das posições de estoques de grãos, mas com operação mais redonda do ponto de vista de distribuição e produção. Em 2010, navegamos a pleno no nosso plano operacional”, declarou o executivo durante teleconferência com analistas sobre o resultado da empresa no último trimestre do ano passado. 

Ainda assim, o impacto do aumento dos custos dos grãos ainda deverá ser sentido nos primeiros seis meses de 2010, já que apenas 30% do efeito ocorreu no último trimestre de 2010. “Estamos agindo com cautela para ver o que fazer para mitigar aumentos dos custos no segundo trimestre”, disse José Fay, presidente da empresa. 

Dificuldades na compra de alimentos
Em sua opinião, não deve haver arrefecimento dos preços tão cedo. O executivo lembrou que a demanda externa por proteínas aponta firme tendência de alta, e que há virtualmente ausência de estoques no mundo, com dificuldades na produção e baixos estoques de passagem (entre uma safra e outra). 

Com essa equação, é possível repassar preços, justamente porque o problema é mundial e atenuado no Brasil, apesar da apreciação do câmbio, com a expectativa de uma excelente safra em 2011. Desse modo, José Fay reforça que “a inflação de alimentos existe e ainda tem caminho para continuar. É de se esperar que o mundo enfrente mais dificuldades na compra de alimentos”, completou. 

No Brasil, o reajuste para os produtos de maior valor agregado, até agora, foi de 3,6% em 2010. Mas embora o executivo acredite que o consumidor aqui sofrerá menos do que o global, Fay vê espaço para alta dos preços e absorção desse aumento, visto o aumento do poder de compra do brasileiro. 

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Investimentos maiores em capacidade
Para aproveitar esse momento, a companhia pretende investir entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão em novas instalações para dar folga à utilização da capacidade instalada, que atualmente fica em torno de 90%, segundo estimativa de Saboya. O montante é mais do que o capex de 2010, já que capacidades ociosas de projetos iniciados em 2007 e 2008 já estão no limite. 

Esse investimento em crescimento orgânico deve concentrar-se sobretudo na produção nacional. “O Brasil é o melhor lugar do mundo para fazer o que a gente faz, temos uma posição competitiva muito interessante aqui”, disse José Fay, presidente da BR Foods. Desse modo, a estratégia da companhia deverá continuar a concentrar-se na exportação de matéria-prima brasileira para processamento no exterior. 

Assim, no mercado externo, o foco é o crescimento inorgânico, via aquisição de capacidade de processamento com marca própria fora do país. “É o modelo perfeito, embora nem sempre seja aplicado”, comentou Fay, que ressaltou que os países emergentes na África, na América Latina e o no Oriente Médio continuam a ser os mercados consumidores mais interessantes neste momento. 

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Oriente Médio e Japão
A administração da companhia aproveitou para comentar as expectativas com o Oriente Médio e o Japão, afetados por uma crise política e um terremoto seguido de tsunami de dimensões épicas, respectivamente. De acordo com a companhia, essas áreas, importantes consumidoras da empresa, não mostraram até agora mudança significativa no comportamento da demanda. “Não vejo riscos de preços ou volumes”, indicou Fay, embora tenha afirmado que há problemas “pontuais” para o recebimento em países mais ortodoxos no Oriente Médio.

E ainda que tenham afirmado que o futuro da Brasil Foods é no Brasil, a administração da empresa não deixou de lembrar a importante posição da companhia na balança comercial brasileira, atrás apenas de Vale (VALE3, VALE5) e Petrobras (PETR3, PETR4).