Publicidade
SÃO PAULO – Apontando inflação de 0,10% em julho, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) surpreendeu e ficou no piso das expectativas do mercado. O resultado é 0,13 p.p. menor do que a taxa de junho (+0,23%) e marca o menor nível desde agosto de 2010. Em junho de 2010, o índice havia ficado em 0,09%.
“Os núcleos, que são usados para tirar as distorções dos índices, caíram, ou seja, estão em um nível mais aceitável. Se os resultados se mantiverem desta forma nos próximos meses, pode ser que o índice feche o ano de 2011 mais próximo da meta do governo”, afirma o analista econômico da WinTrade, José Góes por meio de nota.
Alimentos ajudam
Na avaliação de economistas, a queda do grupo alimentos – que deixou uma alta de 0,11% no mês anterior para uma deflação de 0,39% na leitura corrente – foi o principal fator para o bom resultado. A variação negativa dos preços dos alimentos pesou para a desaceleração do IPCA-15, com uma contribuição de -0,09 ponto percentual.
A Concórdia Corretora estima que os alimentos deverão manter a deflação no resultado fechado do mês de julho, ainda que “numa intensidade menor” do que a observada no IPCA-15.
Outras contribuições
Os analistas também citam o arrefecimento dos preços nos grupos vestuário e habitação como contribuição relevante para impedir uma alta maior no IPCA-15.
Transportes pesam
Por outro lado, os preços no grupo transportes, apesar de manterem o efeito desinflacionário no período, indo de -0,73% em junho para -0,02% agora, tiveram um impacto menor sobre o resultado do IPCA-15, de acordo com os especialistas.
Continua depois da publicidade
De acordo com relatório da Rosenberg & Associados, a perda de fôlego da queda nessa classe de despesa, deve-se “em maior parte à retomada nos preços dos combustíveis”. Esse item, que havia registrado deflação de 4,56% na leitura de junho, ficou em -1,17% na leitura publicada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (20).
Para o fechamento de julho, a Concórdia espera que o grupo deixe o terreno negativo e registre inflação, puxado pela aceleração do etanol e, por consequência, da gasolina.
Projeções
Diante deste cenário, a corretora projeta IPCA de 0,20% no fechamento deste mês. Na mesma linha, a Rosenberg & Associados estima uma retomada da alta dos preços nos próximos meses, com término da sazonalidade de baixa típica dos meses de junho e julho.