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SÃO PAULO – Uma nova rodada de flexibilização quantitativa com compra de ativos só seria necessária nos Estados Unidos caso a economia volte a mostrar sinais de maior deterioração e a inflação comece a fugir da meta de 2% por ano. A opinião é do presidente do Federal Reserve de Saint Louis, James Bullard.
Em entrevista ao canal de TV norte-americano CNBC, o economista se mostrou cético quanto à possibilidade de um QE3 (Quantitative Easing 3) ser adotado pela autoridade monetária. Segundo ele, agora, com dados econômicos mostrando uma melhora na atividade e no desemprego, é a hora de sentar e esperar a evolução dos indicadores.
“Mas eu não tiraria o QE3 da mesa para sempre”, avisou Bullard. Desde o segundo semestre de 2008, o Fed baixou a taxa de juro para os menores níveis históricos – onde devem ficar até o fim de 2014, segundo o último comunicado – e comprou US$ 2,3 trilhões em bônus de longo prazo, para estimular o crescimento da economia.
Discordância no Fed
Em discurso durante este mês, Ben Bernanke, que é o presidente da autoridade monetária, havia afirmado que, apesar da recente melhora, os EUA ainda precisam de apoio do banco central. A taxa de desemprego, por exemplo, vem caindo, mas ainda está em um patamar elevado, a 8,3%.
Já Richard Fisher, que comanda a filial de Dalls, afirmou ao mesmo veículo na véspera que a necessidade de um QE3 diminui a cada divulgação de dado econômico. Ele já havia informado que o programa é um “desejo de Wall Street”, e que não aconteceria.
Mudanças na instituição
Na última quinta-feira (23), Kevin Brady, deputado republicano, disse que iria apresentar um projeto de lei que muda a estrutura do Fed. Atualmente, a obrigação de Bernanke é monitorar a inflação e também o desemprego, com juros moderados, ou seja, um duplo mandato. Mas o congressista norte-americano acredita que o melhor seria instituir o mandato único, de controle dos preços.
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Bullard concorda. “Eu estaria disposto a mudar para um mandato único”, avaliou. Para ele, o consenso entre os membros da instituição durante a presidência de Alan Greenspan é de que promover a estabilidade dos preços garantiria melhores taxas de emprego.