Possível oferta de ações pressiona e Usiminas lidera perdas do Ibovespa

Na sexta-feira papel já apresentava forte desvalorização, ante rumores de que empresa pode levantar R$ 2,5 bilhões

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SÃO PAULO – O momento negativo para as ações da Usiminas (USIM3, USIM5) continua. Nesta segunda-feira (18) os papéis da siderúrgica lideraram a ponta negativa do Ibovespa, com queda de 4,43% para os papéis ordinários, aos R$ 7,12, e de 5,50% para os preferenciais, fechando a R$ 7,04. Já o benchmark da bolsa brasileira terminou o dia com leve alta de 0,16%.

No pior momento do pregão, o ativo USIM3 chegou a cair 5,15%, aos R$ 9,20, enquanto o USIM5 registrou perdas de 5,64%, aos R$ 7,03.

Os investidores temem uma oferta de ações da companhia, de modo a equilibrar as contas após os recentes resultados fracos. No último pregão, as duas classes de ações recuaram cerca de 4%, ante rumores de que a empresa fará uma nova emissão de ações. Esse fato, que normalmente gera uma pressão vendedora no mercado, juntamente com a fraca performance recente da empresa, levou o Deutsche Bank a recomendar a seus clientes venderem os papéis da siderúrgica.

Emissão de R$ 2,5 bilhões?
Segundo cálculos da instituição, a siderúrgica poderia ter que levantar até R$ 2,5 bilhões para equilibrar a relação dívida líquida sobre Ebitda (geração operacional de caixa). Com essa capitalização, a relação do múltiplo, que atualmente é de cerca de 4 vezes, cairia para 2,2 vezes entre 2013 e 2015.

A equipe de análise da XP Investimentos alertou, em relatório, que esse fato aumenta a incerteza e a volatilidade sobre as ações da siderúrgica, assim como indica o fraco desempenho operacional da companhia. Nesta segunda-feira a empresa volta a foco após o jornal Valor Econômico reportar que, além da oferta de ações, a empresa também estuda se desfazer da Usiminas Automotiva e da Usiminas Mecânica.

“O fato do mercado saber dessas dificuldades pelas quais a empresa passa deve reduzir o potencial de captura de um melhor valor pelos ativos que, supostamente, seriam vendidos”, cravam os analistas da XP.

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Contudo, para a equipe da XP esse é um mal necessário pelo qual a Usiminas tem que passar para conseguir viabilizar os investimentos, especialmente em mineração. Assim, a recomendação “não atrativa” para as ações é mantida. Em contato com a assessoria de imprensa, a Usiminas se recusou a comentar o assunto.

Preço do aço em queda
Para adicionar mais um fator de pressão, fabricantes internacionais de aço plano estão iniciando um processo de corte nos preços de produtos siderúrgicos. A Baosteel, maior siderúrgica chinesa, anunciou cortes na semana passada. Segundo a equipe de análise da Ativa, a notícia é negativa para Usiminas e CSN (CSNA3).

“Considerando o prolongamento das perspectivas negativas para o segmento, e o acirramento da concorrência, as margens permanecerão pressionadas, com destaque para a Usiminas, que sofre ainda com a elevação dos custos dolarizados (minério de ferro e carvão de coque) diante de um real mais fraco”, comentam, em relatório.