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(Bloomberg) — Uma das principais novas gestoras de recursos do Brasil está desafiando o consenso com uma aposta de que o crescimento brasileiro vai sair da mediocridade para superar as previsões mais otimistas no ano que vem.
A Legacy Capital, que tem quase R$ 10 bilhões sob gestão em seu principal fundo pouco mais de um ano após o lançamento, espera que o Brasil “cresça 2,5%, mas o risco maior é que seja 3%” em 2020, disse Pedro Jobim, economista-chefe da gestora. Isso se compara a uma previsão mediana de 2% compilada pela Bloomberg, em queda sucessiva desde maio.
O otimismo de Jobim é ainda mais surpreendente considerando que economistas — inclusive ele próprio — superestimaram o crescimento do Brasil nos últimos anos. Ele chegou a prever uma expansão de 3%, derrubada por uma série de choques como a greve de caminhoneiros e as eleições presidenciais, que fizeram a economia brasileira emergir da pior recessão de sua história muito mais lentamente.
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Agora, no entanto, sua projeção se baseia em fatores diferentes para sustentar o otimismo: o crédito a pessoa física, com as concessões atingindo o nível mais alto de todos os tempos, e sua percepção de que o mercado de trabalho não está tão ruim quanto parece.
“Pela primeira vez, o mecanismo do crescimento não é baseado na confiança dos empresários, que era a história anterior entre 2017 e 2019”, disse Jobim, que escreveu um artigo sobre a tese. “Nossa visão tem a ver com a economia real e deve ser um ciclo muito baseado no consumo.”
Outro fator que derrubou projeções anteriores de crescimento foi a retração do investimento das empresas estatais e do governo brasileiro, à medida que o país procura fortalecer as contas fiscais, com o setor privado demorando a assumir esse espaço, disse Jobim.
“Houve muita frustração e as empresas multinacionais estão cansadas de explicar à matriz por que estão perdendo dinheiro no Brasil.”
Enquanto isso, a taxa Selic na mínima histórica já traz efeitos sobre o crédito, com o volume de concessões de empréstimos a famílias ganhando força em 2019, segundo Jobim. Os desembolsos para pessoa física atingiram o recorde de R$ 1,5 trilhão até agosto, segundo dados do Banco Central, ajudando a impulsionar o consumo.
O mercado de trabalho também pode estar em melhor forma do que parece, argumenta ele, pois alguns dos dados usados para calcular os números do PIB podem não estar capturando o aumento de trabalhadores independentes ou informais visto em outras pesquisas — como a PNAD. Como crédito e mercado de trabalho constituem os dois determinantes mais importantes do consumo das famílias, Jobim decidiu então adotar uma postura mais otimista.
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“Com o tempo, a renda proveniente do mercado de trabalho e os empréstimos vão permear a economia”, afirmou.
A maior ameaça às previsões de Jobim vem do ambiente global, pois os dados sobre a confiança nos negócios e sobre a indústria manufatureira estão piorando, disse ele, enquanto as tensões comerciais começam a produzir efeitos irreversíveis.
A retomada do crescimento pode ser uma peça fundamental para a continuidade da agenda de reformas do governo, que começou com a reforma da Previdência, agora quase concluída, mas deve continuar com a tributária e outras mudanças. Embora o ruído sobre a capacidade do governo de capitanear as mudanças seja constante, é a falta de prosperidade econômica que pode acabar atrapalhando os planos, ao mesmo tempo em que dificultaria o alcance das metas fiscais do país.
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“Se o crescimento não vier, as coisas se tornarão muito mais difíceis politicamente”, disse ele.
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