Petrobras: ceticismo domina após reunião, mas um fator pode impulsionar ações

Após reunião com Graça Foster e outros executivos da companhia, somente o Citi viu maiores possibilidades de novos reajustes; contudo, produção pode impulsionar ativos

Publicidade

SÃO PAULO – Após a reunião com o Itaú BBA, a Petrobras (PETR3;PETR4) realizou um novo encontro com analistas na última segunda-feira, de modo a esclarecer a nova política de preços adotada no final de novembro. Dentre os participantes, estiveram a presidente Graça Foster, o diretor financeiro Almir Barbassa, o diretor de exploração e produção José Miranda Formigli Filho e o diretor de abastecimento, José Carlos Consenza. 

Porém, algumas dúvidas ainda permanecem. Enquanto alguns analistas se mostraram bastante otimistas após o encontro, outros seguem céticos com relação a novos reajustes de combustíveis para a companhia em 2014, o que permite um alívio para o caixa da companhia.

Dentre os otimistas, está o Citigroup, que mudaram a visão sobre a tese de investimento para a petrolífera e apostam em uma maior chance de aumento de preços entre os anos de 2014 e 2015.

Continua depois da publicidade

Conforme apontam os analistas Pedro Medeiros e Fernando Valle, do Citi, a percepção é de que ocorra mais ajustes do que o anteriormente previsto pelo banco, de duas vezes ao ano. Neste cenário, eles veem até mesmo uma alta probabilidade de um reajuste no primeiro trimestre de 2014. Além disso, Medeiros e Valle avaliam que a petrolífera pode manter o preço local acima do internacional caso os preços lá fora registrem queda. 

Por outro lado, os analistas do Credit Suisse, que rebaixaram a recomendação das ações da companhia após o anúncio do reajuste para equivalente à venda e cortaram o preço-alvo em 44%, não há nenhuma grande informação nova para que o banco mudasse a sua visão sobre a companhia. 

Os analistas Vinicius Canheu e Andre Sobreira ressaltam que o management da empresa está bem engajado em melhorar a estatal e sua condição financeira, porém, os desafios são grandes e conseguir esse feito nos próximos dois anos não será tarefa fácil.

Continua depois da publicidade

Isso porque não há muito espaço para redução de capex (investimentos em bens de capital) e os aumentos de preços não devem ser os necessários no curto prazo. A recomendação do banco de investimentos para a ação da estatal permanece como underweight (exposição abaixo da média). “O encontro não mudou a nossa visão de que a companhia deve continuar com um balanço delicado em 2014”, ressaltaram Canheu e Sobreira. 

O HSBC compartilha da mesma visão do Credit Suisse, ressaltando que não houve grandes mudanças na visão dos analistas depois da reunião com os executivos. “Mantemos nossa opinião de que a tese de investimento da empresa é um resultado da taxa de câmbio contra o crescimento da produção no curto prazo”, avaliam os analistas Luiz Carvalho e Filipe Gouveia. 

E avaliam que continuam a ver problemas para a companhia e fundamentos fracos, devido à alta alavancagem, fluxo de caixa livre negativo até o final da década, interferência negativa do governo, além de investimentos na área de refino com menores retornos do que o custo de capital. 

Continua depois da publicidade

Os temas principais e um possível vetor de alta
A reunião, apontam os analistas do HSBC, concentrou-se em cinco temas principais: a metodologia de preços, a alavancagem do balanço, o crescimento da produção, a capacidade de refino e a transferência de direitos. 

E ressaltam que a tese de investimento da Petrobras continua baseada em três pilares: o crescimento da produção, o nível de investimentos e a diferença nos preços de combustíveis, que é uma função principalmente dos preços do brent e da taxa de câmbio.

Apesar dos fundamentos fracos, os analistas veem algumas opções positivas que podem causar uma alta na ação no curto médio prazo. O” crescimento da produção é o único fator que a empresa pode controlar até certo ponto, e acreditamos que ele terá algumas melhorias até o final de 2014″, avaliam os analistas.

Continua depois da publicidade

Eles ressaltam que a flexibilidade para reduzir investimentos antes de 2015 é muito baixa, devido ao estágio da maior parte de seus projetos. A taxa de câmbio e os preços do Brent estão totalmente fora do controle da empresa, mas podem ser cruciais.

O Credit Suisse também vê com tom positivo a expectativa sobre a produção da empresa, que deve ter forte crescimento e surpreender o mercado, destacando a confiança sobre o tema. 

Dividendos
O Citi avalia que o orçamento será peça-chave para traçar as perspectivas de alavancagem e credibilidade de  gestão da petrolífera, destacando que a empresa dsegue com as perspectivas para o aumento do custo da dívida em 2014, mas pelo último ano.

Enquanto isso, o Credit Suisse destaca que a Petrobras deve manter a sua política de dividendos, pagando 25% dos lucros para as ações ordinárias, mas destacando que no quarto trimestre o dividendo será analisado considerando o balanço e o fluxo de caixa. 

“De acordo com o diretor financeiro, a administração espera emitir dívida a um custo maior em 2013, devido às condições do mercado e que, depois de 2015, a necessidade de nova dívida será significativamente reduzida. No campo da política de dividendos, a administração afirmou que nada mudou. A empresa pode escolher entre as opções atuais e não forneceu informações sobre a diferenciação das ONs e PNs”, ressaltou o HSBC, que prefere as ações preferenciais às ordinárias. 

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.